Preço do diesel sobe 7% no Brasil: governo anuncia medidas para conter impacto na inflação
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (12) uma série de medidas emergenciais para tentar conter os efeitos da escalada de preços do petróleo na inflação brasileira e mitigar os riscos de desabastecimento do diesel no país. A ação ocorre em meio a relatos de que o aumento do petróleo no mercado internacional, reflexo do conflito no Oriente Médio, já começou a impactar os preços dos combustíveis nos postos de gasolina.
Medidas anunciadas pelo governo
Entre as principais medidas anunciadas estão:
- Decreto que zera as alíquotas do PIS/Cofins sobre o diesel, representando uma redução de R$ 0,32 por litro.
- Aumento do imposto de exportação sobre o petróleo.
- Medida provisória que prevê o pagamento de uma subvenção (incentivo) aos produtores e importadores de diesel, no valor de R$ 0,32 por litro.
- Novas medidas para fiscalizar o repasse do custo das ações ao consumidor final.
Uma pesquisa realizada pela Edenred Mobilidade indicou que os preços do diesel dispararam mais de 7% na primeira semana de março em comparação com os últimos sete dias de fevereiro. O caso virou alvo de investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), após sindicatos do setor apontarem aumento ou previsão de alta nos preços da gasolina e do diesel em várias regiões, mesmo sem mudança nos valores praticados pela Petrobras nas refinarias.
Como são formados os preços do diesel?
Uma série de fatores influenciam o cálculo dos preços cobrados dos consumidores nas bombas. A maior fatia da composição de preços responde pela parcela de remuneração das refinarias. Veja abaixo como o preço é formado:
- Remuneração das refinarias: 45,5%
- Imposto estadual (ICMS): 19%
- Distribuição e revenda: 17,2%
- Biodiesel: 13%
- Impostos federais: 5,2%
Impacto na inflação e na economia
O diesel é o principal combustível usado no transporte de cargas no Brasil. Por isso, quando o preço sobe, o custo do frete tende a aumentar e acaba sendo repassado ao longo da cadeia produtiva. "Quando há uma alta mais forte no preço do petróleo, é comum que os primeiros efeitos apareçam no diesel. Como ele é o principal combustível do transporte rodoviário de cargas, qualquer aumento de custo tende a se refletir rapidamente nesse mercado", explicou o diretor de frete da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes.
Nas últimas semanas, os preços do petróleo dispararam no mercado internacional com a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa mais de 20% do comércio global da commodity. Na segunda-feira (9), o barril chegou perto de US$ 120, mas recuou nos dias seguintes para a casa dos US$ 90. Nesta quinta-feira, os contratos de abril do barril do Brent, referência internacional, já voltavam a se aproximar dos US$ 100 novamente, com uma alta de mais de 7%.
Consequências para o consumidor
Como consequência, a alta dos combustíveis pode chegar ao consumidor na forma de produtos e serviços mais caros. Além disso, caso os preços do petróleo se mantenham elevados por um período mais prolongado, outros efeitos também começam a ser vistos na economia, como o aumento das taxas de juros.
Segundo o estrategista de ações da XP, Rafael Figueiredo, existe uma faixa considerada mais favorável para o desempenho da economia e da bolsa brasileira: quando o barril fica entre US$ 60 e US$ 70, o impacto costuma ser positivo. Já níveis muito acima desse intervalo tendem a gerar preocupação. "Valores acima de US$ 90 ou US$ 100 pioram o desempenho, porque o impacto inflacionário acaba superando os benefícios da balança comercial", afirmou.
Os efeitos de um petróleo mais caro por mais tempo costumam aparecer primeiro no mercado financeiro, com maior pressão sobre os títulos da dívida pública, manutenção de juros elevados por mais tempo e mais cautela das empresas na hora de investir. Na economia real, se esse ambiente se prolongar, os impactos tendem a chegar de forma indireta ao dia a dia da população, com crédito mais caro, menor geração de empregos e crescimento econômico mais lento.



