Cuiabá enfrenta desafios para acompanhar crescimento do interior e planeja expansão urbana
Cuiabá busca superar desafios para crescer junto com interior de MT

Cuiabá celebra 307 anos com expansão econômica e desafios estruturais

A capital de Mato Grosso, Cuiabá, completa 307 anos nesta quarta-feira (8) em um momento de transformação econômica e urbanística. Nos últimos dez anos, a cidade registrou um crescimento impressionante de 98% em seu Produto Interno Bruto (PIB), alcançando a marca de R$ 23 bilhões, conforme dados apresentados pelo presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do município, Júnior Macagnam.

Desafio de acompanhar o interior dominado pelo agronegócio

O cenário econômico atual de Cuiabá reflete um descompasso preocupante quando comparado ao desempenho acelerado das cidades do interior do estado, que são fortemente influenciadas pelo agronegócio. "O ponto central não é o mérito inegável do interior, mas o fato de a nossa região metropolitana estar perdendo fôlego e atratividade para novos investimentos", explica Macagnam.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que comparam a evolução do PIB municipal entre 2010 e 2020 revelam uma situação que exige reflexão profunda. Embora seja natural que cidades mais jovens com fronteiras agrícolas em expansão apresentem saltos percentuais maiores por crescerem sobre uma base menor, o ritmo de Cuiabá causa preocupação entre especialistas e empresários.

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Duas frentes de atuação da prefeitura

Para reverter essa situação, a administração municipal trabalha em duas frentes estratégicas. A primeira consiste em resgatar o potencial econômico do Centro Histórico e da Orla do Porto, conforme detalha o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, Fernando Medeiros.

"No caso específico da Orla do Porto, há um projeto estruturado que integra equipamentos públicos, comércio, turismo e economia criativa, com potencial para consolidar a região como um dos principais polos de desenvolvimento da cidade", afirma Medeiros.

O segundo foco é investir na expansão urbana ligada à infraestrutura já existente na capital, dando atenção especial ao planejamento das novas áreas residenciais. No entanto, o principal desafio continua sendo as dificuldades financeiras herdadas das últimas gestões municipais, o que gera impactos diretos na capacidade de investimento no curto prazo.

Panorama empresarial: abertura e fechamento de empresas

O ambiente econômico de Cuiabá é dominado por três setores principais:

  • Serviços: 6.254 empresas abertas até 19 de março deste ano
  • Comércio: 2.036 empresas abertas no mesmo período
  • Indústria: 983 empresas abertas

Os dados são da Junta Comercial do Estado de Mato Grosso (Jucemat) e revelam uma dinâmica peculiar: o mesmo setor que mais abre empresas também é o que mais registra fechamentos. Até a mesma data, foram encerradas 3.114 empresas no setor de serviços, 1.400 no comércio e 553 na indústria.

"O setor de serviços é o que mais tem crescido, pois o agro utiliza esse setor aqui na capital. Porém, o que a gente observa é que ao longo dos últimos 20 anos, cidades do interior cresceram absurdamente mais que Cuiabá", analisa Macagnam.

Expansão urbana em três frentes principais

O crescimento da capital mato-grossense deixou de ser centralizado e se espalhou por três regiões distintas:

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  1. Região Norte: especialmente ao longo da Rodovia Helder Candia (Estrada da Guia) e da Rodovia Emanuel Pinheiro (Estrada da Chapada), áreas que atraíram condomínios horizontais de médio e alto padrão. A duplicação das rodovias e a valorização do eixo que leva ao Lago do Manso atraíram grande volume populacional, transformando antigas rotas de passagem em corredores comerciais pulsantes.
  2. Região Sul: ancorada pelo Distrito Industrial, continua sendo um motor vital da economia local. O crescimento é orientado pela geração de empregos formais, com a instalação de novas indústrias exigindo mão de obra local e fomentando o surgimento de novos bairros e conjuntos habitacionais.
  3. Avenida das Torres: um dos maiores exemplos de crescimento exponencial em Cuiabá, que transformou a região em um imã para investimentos imobiliários. O surgimento de centros comerciais ao longo da avenida demonstra a confiança do empresariado no potencial de consumo do local.

Superação de gargalos estruturais

Para Medeiros, o principal desafio para expandir ainda mais a economia cuiabana passa pela superação dos gargalos estruturais históricos da capital, especialmente o déficit de infraestrutura urbana em áreas como mobilidade, drenagem e saneamento básico.

"Estão previstas parcerias público-privadas para viabilizar projetos estruturantes, especialmente nas áreas de infraestrutura e turismo", revela o secretário, acrescentando que também há o desafio de tornar o ambiente de negócios mais ágil e competitivo, com redução de entraves burocráticos e estímulo à abertura de novos empreendimentos.

Macagnam defende que o crescimento econômico deve estar intrinsecamente ligado ao planejamento urbano inteligente. "Observamos gargalos estruturais que precisam de atenção imediata do poder público. Defendemos o conceito de ‘cidade inteligente’, onde o cidadão encontra trabalho, educação e lazer em sua própria região", finaliza o presidente da CDL, destacando que essa abordagem reduz o tempo de deslocamento, diminui o estresse urbano e potencializa a economia local.