Copom adota postura cautelosa e reduz Selic para 14,75% ao ano
Em um cenário marcado por incertezas geopolíticas e pressões inflacionárias, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. A medida, que representa um corte de apenas 0,25 ponto percentual, reflete a cautela das autoridades monetárias diante dos conflitos no Oriente Médio, que têm impactado os preços globais de commodities como petróleo e gás.
Impactos da guerra no Irã nos mercados energéticos
Os ataques militares dos Estados Unidos e Israel ao Irã, incluindo a morte de líderes como o Aiatolá Ali Khamenei e Ali Larijani, intensificaram as tensões na região. Um ataque às instalações de South Pars, um dos maiores campos de gás do mundo, fez os preços do petróleo dispararem. O barril do Brent chegou a US$ 111, com alta de 6%, aumentando a volatilidade nos mercados internacionais. Essa instabilidade afeta diretamente a economia brasileira, que, embora autossuficiente em petróleo, ainda importa de 20% a 25% do diesel e GLP consumidos internamente.
Nota do Copom destaca riscos inflacionários
Em sua nota, o Copom enfatizou que o ambiente externo tornou-se mais incerto devido aos conflitos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. O comitê destacou que as expectativas de inflação para 2026 e 2027, medidas pela pesquisa Focus, permanecem acima da meta, em 4,1% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação para o terceiro trimestre de 2027 é de 3,3%, mas os riscos de alta e baixa se intensificaram com a guerra.
- Riscos de alta incluem desancoragem das expectativas de inflação e resiliência na inflação de serviços.
- Riscos de baixa envolvem desaceleração econômica mais acentuada e redução nos preços das commodities.
O Copom afirmou que acompanha os desenvolvimentos da política fiscal e reforça a postura de cautela, visando a convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante.
Medidas do governo brasileiro para amortecer impactos
Para mitigar os efeitos da alta dos preços dos combustíveis e fertilizantes, o governo brasileiro tem adotado medidas como a redução do PIS/Cofins no diesel e propostas para diminuir o ICMS estadual. Desde maio de 2023, a Petrobras ajustou seus preços com base no petróleo do pré-sal, extraído a custo inferior a US$ 21 por barril, resultando em menos reajustes. Em contraste com ações anteriores, como as do governo Bolsonaro, a atual administração busca discutir democraticamente a questão, embora enfrente resistência de governadores da oposição.
Fed mantém juros estáveis nos EUA
Paralelamente, o banco central dos Estados Unidos, o Fed, manteve sua taxa básica de juros no intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano, pela segunda vez consecutiva. Apenas Stephen Miran votou por uma redução de 25 pontos-base. O comunicado do Fed incluiu uma menção às incertezas dos desenvolvimentos no Oriente Médio para a economia americana. Consultorias como a 4intelligence preveem cortes futuros, mas destacam que a resolução dos conflitos é essencial para limitar riscos inflacionários.
O Copom reafirmou serenidade e cautela na condução da política monetária, enfatizando que futuros ajustes na Selic dependerão de novas informações sobre a extensão dos conflitos e seus impactos nos preços. A decisão visa não apenas a estabilidade de preços, mas também a suavização das flutuações econômicas e o fomento ao pleno emprego.



