Copom reduz Selic para 14,75% ao ano com cautela devido à guerra no Oriente Médio
Copom reduz Selic para 14,75% ao ano com cautela por guerra

Copom reduz Selic para 14,75% ao ano com cautela devido à guerra no Oriente Médio

Nesta quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu, por unanimidade, cortar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, estabelecendo-a em 14,75% ao ano. Esta redução, a primeira em quase dois anos, ocorre em um cenário de elevada incerteza global, impulsionada pela escalada da guerra no Oriente Médio, que tem pressionado os preços do petróleo e aumentado os riscos inflacionários em todo o mundo.

Decisão marcada por prudência e incertezas externas

Originalmente, o Copom havia indicado no fim de janeiro que realizaria um corte na reunião desta quarta-feira. Economistas do mercado financeiro previam uma redução de meio ponto percentual. No entanto, com o início dos conflitos no Oriente Médio, o cenário mudou drasticamente, levando até mesmo a especulações de que não haveria corte algum.

Os integrantes do comitê avaliaram que a redução de 0,25 ponto percentual era a mais apropriada, mas pregaram extrema cautela. Em seu comunicado, o Copom destacou: “Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”.

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O comitê não indicou uma tendência clara para a próxima reunião, deixando em aberto a possibilidade de novos cortes ou a manutenção da taxa. A decisão final dependerá de novas informações sobre a extensão e os impactos do conflito no Oriente Médio na economia global e brasileira.

Trajetória da Selic e contexto inflacionário

De agosto de 2023 a julho de 2024, a Selic manteve uma trajetória de queda e estabilidade. Contudo, em setembro, o Banco Central iniciou uma nova fase de aumentos para conter a inflação, elevando a taxa para 15% ao ano em junho de 2025. A redução anunciada nesta quarta-feira representa uma inflexão nessa tendência, mas em um ritmo muito mais lento do que o inicialmente esperado.

O principal fator de pressão é a guerra no Oriente Médio, que fez o preço do barril de petróleo disparar. Como o petróleo é uma matéria-prima essencial globalmente, a alta nos preços exerce uma pressão inflacionária significativa, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

Decisão do Fed e reações do mercado

Também nesta quarta-feira, o Banco Central dos Estados Unidos decidiu manter sua taxa de juros entre 3,5% e 3,75% ao ano pela segunda vez consecutiva. O comunicado do Fed ressaltou que as implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia americana são incertas, e que o comitê permanece comprometido com o pleno emprego e a meta de inflação de 2%.

Alberto Ajzental, professor de Economia da FGV, comentou: “Na inflação simples, que é aquela que o cidadão americano sente, ele já vai perceber um aumento de inflação nos próximos índices, porque a gasolina já subiu. Agora, a maior cautela ou o que eles podem fazer - e fizeram - é manter a taxa e verificar o que acontece nos próximos meses”.

A decisão do Fed deixou o mercado pessimista, com o índice Dow Jones fechando em queda. No Brasil, antes do anúncio do Copom, a bolsa de valores também registrou queda, e o dólar comercial subiu para R$ 5,24. O petróleo Brent foi cotado próximo a US$ 100, refletindo os temores de que a alta se espalhe pela economia.

Pressão sobre juros futuros e ações do Tesouro

O temor de que a alta do petróleo alimente a inflação tem pressionado os juros futuros, que servem como termômetro das expectativas do mercado em relação à inflação e ao risco fiscal. Para tentar conter essa pressão, o Tesouro Nacional realizou nesta quarta-feira leilões extraordinários de recompra de títulos do governo, totalizando R$ 5,4 bilhões. Em três dias, as operações desse tipo somaram R$ 49 bilhões.

O economista Sérgio Valle destacou a conjuntura desafiadora: “Se o governo tivesse ajudado o Banco Central, via uma política fiscal mais restritiva, talvez o Banco Central não precisasse subir juros com tanta intensidade. Então, o Banco Central está sozinho, está precisando correr atrás para trazer essa inflação para baixo e aí não tem muito por onde ir. Vai ter que diminuir essa taxa com muita lentidão mesmo”.

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Assim, a redução da Selic para 14,75% ao ano marca um momento de cautela extrema, onde o Banco Central busca equilibrar o estímulo à economia com o controle da inflação, em um ambiente global marcado pela instabilidade e incerteza decorrentes do conflito no Oriente Médio.