Pesquisa revela que comer fora de casa ficou 27% mais caro em Ribeirão Preto em 2025
Comer fora fica 27% mais caro em Ribeirão Preto, diz pesquisa

Pesquisa aponta aumento expressivo no custo de refeições em Ribeirão Preto

Um levantamento recente realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) trouxe dados preocupantes para os moradores de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A pesquisa revela que o preço médio de uma refeição completa na cidade sofreu um aumento significativo de 27% entre 2024 e 2025.

Números que impressionam

De acordo com os dados coletados, o valor médio pago por uma refeição completa, que inclui prato principal, bebida não alcoólica, sobremesa e café, saltou de R$ 45,74 para R$ 58,29 em apenas um ano. Esse aumento expressivo fez com que Ribeirão Preto subisse no ranking estadual, ocupando agora a sétima posição entre as cidades com o prato feito mais caro de todo o estado de São Paulo.

Contexto nacional e local

Enquanto o aumento em Ribeirão Preto foi de 27%, a média nacional apresentou uma alta de 10%, chegando a R$ 57 nas cinco regiões do país. A diferença entre os números locais e nacionais chama a atenção e levanta questões sobre os fatores específicos que impactam a economia da região.

Perspectiva do setor de alimentação

Rodrigo Rodrigues, atendente de restaurante na cidade, compartilha sua experiência prática com o aumento dos custos. "Do ano passado para esse ano tivemos bastante aumento nas proteínas, nos legumes, deu uma boa aumentada e a gente não consegue repassar tudo", explica ele. "Se a gente repassar o cliente acaba sumindo. Então a gente repassa uma pequena parte para continuar atendendo os clientes".

Análise econômica do fenômeno

O economista Edgard Monfort, da USP de Ribeirão Preto, oferece uma análise mais ampla sobre as causas do aumento. Segundo ele, a queda na taxa de desemprego na região tem papel importante nesse cenário. "Quando cai o desemprego, você tem uma busca maior por mão de obra, porque a mão de obra começa a rarear", detalha o especialista. "Alguns setores dependem muito de mão de obra, como o caso do setor de alimentos, restaurantes, é uma parte importante do custo. E aí o que acontece? Você tem que pagar mais porque essa mão de obra está ficando escassa, está tendo uma demanda maior".

Impacto no bolso do trabalhador

A pesquisa da ABBT também alerta sobre o peso dessas despesas no orçamento familiar. De acordo com a associação, o trabalhador brasileiro pode comprometer cerca de um terço do seu salário apenas com refeições fora de casa.

Wellington Lima, gerente de negócios que trabalha na região, confirma sentir o impacto no dia a dia. "A gente que trabalha um pouco na rua, às vezes de uma reunião para outra com o cliente, a gente vai, vou parar ali no restaurante, tomar um café, a gente sente um pouco essa diferença", relata.

Alternativas para o consumidor

Diante desse cenário de aumento de custos, o economista Edgard Monfort sugere estratégias para os consumidores administrarem melhor seus gastos. "As pessoas têm um estímulo a reduzir o consumo de alimentos fora de casa", observa. "Então o que acontece? Você vai começar a ter que levar um pouco de casa, levar uma fruta, levar a marmita e aí você fica nessa questão, o consumidor tem que administrar esse aumento reduzindo esse consumo, mas para as ocasiões de final de semana, para momentos mais específicos".

Reflexões sobre o custo de vida

O aumento de 27% no preço das refeições em Ribeirão Preto reflete tendências mais amplas da economia local e nacional. Enquanto a queda no desemprego pode ser vista como um indicador positivo, seus efeitos colaterais incluem pressão sobre os custos de serviços que dependem intensamente de mão de obra, como o setor de alimentação fora do lar.

Para os moradores da cidade, a pesquisa serve como alerta para um planejamento orçamentário mais cuidadoso, especialmente considerando que as refeições fora de casa representam uma parcela significativa das despesas mensais de muitos trabalhadores.