Combustível em alta no RS: sindicato garante abastecimento apesar de preços elevados
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Rio Grande do Sul (Sulpetro), João Carlos Dal'Aqua, afirmou nesta sexta-feira, 13, que não há desabastecimento de combustível no estado. Em declaração enfática, Dal'Aqua garantiu que, se por acaso algum posto de combustível não tiver o produto, o estabelecimento seguinte certamente terá disponibilidade.
Contexto de alta procura e preços recordes
Nos últimos dias, produtores rurais e empresas de transporte do Rio Grande do Sul têm enfrentado dificuldades significativas para adquirir diesel, com relatos de aumento nos preços. Em Bagé, na Região da Campanha, segundo levantamento realizado pela RBS TV, o valor do combustível chegou a impressionantes R$ 8,04 nesta semana, marcando um patamar histórico na região.
Dal'Aqua explicou que casos específicos de falta em estabelecimentos pontuais podem ser atribuídos a uma alta procura concentrada, mas reforçou que o abastecimento geral está mantido. "As distribuidoras estão entregando especialmente para quem tem contratos, onde existe um compromisso formal de fornecimento", destacou o representante sindical.
Impacto do conflito no Oriente Médio nas importações
O cenário internacional tem influência direta na situação brasileira. O conflito no Oriente Médio está causando restrições no abastecimento global, com reflexos imediatos no país. Dal'Aqua esclareceu que está entrando menos produto importado no Brasil, uma vez que a nação ainda depende de uma parcela significativa de combustíveis vindos do exterior.
"Aproximadamente 20%, ou até um pouco mais, do diesel consumido no Brasil precisa vir de fora porque não temos capacidade total de refino", explicou o presidente do Sulpetro. Parte considerável do combustível mundial passa pelo Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica que tem sido afetada pelas tensões geopolíticas.
O recente anúncio do Irã sobre o fechamento do estreito elevou o preço do diesel no mercado internacional e dificultou os processos de importação, criando um efeito cascata que chega aos postos gaúchos.
Distribuição e margens apertadas no setor
Conforme detalhado por Dal'Aqua, atualmente as distribuidoras estão recebendo as cotas habituais da Petrobras, sendo responsáveis pela distribuição aos postos revendedores. No entanto, a variação de preços e disponibilidade é mais acentuada nos postos de bandeira branca, que precisam realizar compras diretas e possuem menor margem de negociação com as distribuidoras.
O representante do sindicato também apontou que a insegurança gerada pela guerra tem provocado um aumento na procura por parte dos consumidores, que saem de seus padrões habituais de consumo. "Muitos postos tiveram essa consequência. O consumidor buscando mais produto, saindo de uma regra de normalidade, e aí a logística não consegue atender", analisou.
Dal'Aqua complementou que outra consequência importante é que o setor de combustíveis sempre trabalhou com margens muito apertadas, o que amplifica os efeitos de qualquer instabilidade no fornecimento ou nos custos.
Posicionamento da Agência Nacional do Petróleo
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) emitiu posicionamento afirmando que não há registro oficial de falta de combustível em nível nacional. A declaração da agência reguladora reforça as garantias dadas pelo sindicato gaúcho, ainda que reconheça as pressões de mercado e os desafios logísticos pontuais.
O quadro atual no Rio Grande do Sul reflete uma combinação complexa de fatores internacionais e dinâmicas de mercado locais, com o setor de transportes e a agricultura sentindo diretamente os impactos dos preços elevados do diesel.



