Economista critica alta de imposto de importação: Brasil 'segue exemplo de Trump', diz
Brasil 'segue exemplo de Trump' com imposto de importação, diz economista

Economista alerta: Brasil repete estratégia de Trump com aumento de imposto de importação

O recente aumento do imposto de importação sobre mais de mil itens no Brasil tem gerado críticas técnicas contundentes de especialistas em política fiscal. Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente), analisou a medida e levantou uma questão central: o governo está regulando o comércio exterior ou simplesmente buscando arrecadar mais recursos?

Mudança de lógica fiscal preocupa especialista

Pestana destaca que historicamente o imposto de importação possui caráter regulatório, servindo para calibrar o comércio exterior e representando apenas cerca de 3% da receita total do governo. "Quando esse instrumento passa a ser usado com foco arrecadatório, há uma mudança de lógica preocupante", afirma o economista. Ele lembra que em dezembro já havia sido feito um pedido para ajustar o Orçamento prevendo R$ 14 bilhões extras com essa tributação, o que acende um sinal de alerta.

O diretor da IFI faz um paralelo com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), outro tributo de natureza regulatória que o governo tem utilizado para reforçar receitas. Janeiro registrou arrecadação recorde com contribuição relevante desse imposto, indicando um padrão onde mecanismos criados para ajustar crédito e fluxo financeiro estão sendo usados para fortalecer o resultado fiscal no curto prazo.

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Contradição diplomática e ineficácia prática

Pestana recorre ao exemplo do governo de Donald Trump para reforçar o que considera uma incoerência na estratégia brasileira. "O Brasil criticou duramente o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos ao mundo — e ao próprio Brasil — defendendo multilateralismo e integração comercial", lembra o economista. Agora, ao elevar o imposto de importação, o país estaria adotando postura semelhante àquela que condenou internacionalmente.

Além da contradição diplomática, o diretor da IFI aponta a ineficácia prática dessa abordagem: "O tarifaço de Trump não gerou o prometido renascimento industrial americano, e os dados mais recentes mostram isso claramente". Para Pestana, o recado é evidente — protecionismo pode até soar como defesa da indústria nacional, mas raramente entrega modernização e competitividade no longo prazo.

Risco de 'tiro no pé' para a indústria nacional

Do ponto de vista industrial, Pestana é direto: a medida pode ser um verdadeiro "tiro no pé". Ele argumenta que a indústria nacional não consegue substituir rapidamente máquinas e equipamentos importados, o que significa que os empresários continuarão comprando produtos do exterior, só que a preços mais elevados devido aos impostos.

O resultado dessa equação, segundo o economista, é mais arrecadação para o governo, pouca modernização produtiva e custos maiores em toda a cadeia produtiva. "Priorizar arrecadação em vez de modernização pode até aliviar o caixa hoje, mas não resolve o desafio estrutural do crescimento amanhã", alerta Pestana.

Visão retrógrada da economia

O diretor da IFI vai além e critica o que chama de visão de economia fechada, com "cheiro das décadas de 50 e 60". Ele destaca que países que conseguiram escapar da armadilha da renda média foram justamente aqueles que abriram seus mercados, aumentaram a competitividade e investiram pesadamente em produtividade.

Para Marcus Pestana, a estratégia brasileira de elevar impostos de importação com foco arrecadatório representa um retrocesso que pode comprometer o desenvolvimento econômico do país a médio e longo prazo, repetindo erros históricos que outras nações já superaram com sucesso.

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