Bradesco analisa impacto positivo das novas tarifas americanas para o Brasil
O Departamento de Pesquisa Econômica do Bradesco realizou uma análise detalhada sobre as recentes decisões comerciais dos Estados Unidos e concluiu que o Brasil pode sair beneficiado das mudanças nas políticas tarifárias. A avaliação ocorre após o presidente Donald Trump anunciar a aplicação de uma tarifa geral de 15% sobre as importações americanas, medida tomada depois que a Suprema Corte decidiu que o presidente não pode usar o IEEPA da Lei de Comércio de 1974 para aumentar tarifas sem autorização do Congresso.
Evolução das tarifas sobre produtos brasileiros
O relatório do Bradesco destaca que as exportações brasileiras foram afetadas em três momentos distintos pelas políticas comerciais americanas. Primeiramente, com tarifas globais no Liberation Day, depois com tarifas exclusivas ao Brasil em julho, e finalmente com reduções específicas em alimentos e fertilizantes. Além disso, o Brasil também enfrentou taxas exclusivas para setores específicos que utilizam a Seção 232 do Trade Act.
Essa seção foi empregada para implementar taxas sobre Aço e Alumínio (inicialmente 25% e depois expandida para 50%), Cobre (25%) e Madeira (10% para madeira de coníferas, 25% para móveis e estofados, e 50% para armários de cozinha). Após diversas variações, as tarifas médias sobre produtos brasileiros se estabilizaram em 26%.
Impacto da nova tarifa geral de 15%
Com o anúncio das tarifas globais de 15% utilizando a Seção 122 do Trade Act – que permite que essas taxas sejam válidas por 150 dias – a situação do Brasil pode melhorar significativamente. Se mantidas as isenções às taxas extras atuais, a tarifa média brasileira cairá para 15%, representando uma redução de 11 pontos percentuais.
O Bradesco ressalta que, embora seja uma solução temporária, existe expectativa de que o presidente Trump consiga manter esse nível com autorização do Congresso e uso da Seção 232. A instituição financeira avalia que "a agenda de poder de compra dos EUA deve continuar beneficiando nossos alimentos e fertilizantes exportados", além de destacar que o petróleo – principal bem exportado pelo Brasil – permanece isento.
Perspectivas econômicas favoráveis com inflação em declínio
Paralelamente às análises sobre comércio exterior, a Pesquisa Focus do Banco Central traz boas notícias para a economia brasileira. Coletada junto a 152 instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa, a pesquisa indica uma trajetória descendente para a inflação no curto prazo.
Projeções para a taxa Selic e inflação
O mercado financeiro prevê que o Banco Central poderá realizar duas reduções de 0,50% na taxa Selic nas reuniões do Comitê de Política Monetária em 18 de março e 29 de abril. Isso faria a Selic cair dos atuais 15% ao ano para 14%. Com o bom comportamento da inflação, a Focus projeta que a taxa básica de juros fechará o ano em 12%.
As projeções específicas para o IPCA são igualmente otimistas:
- Fevereiro: 0,45% (reduzindo a taxa em 12 meses para 3,55%)
- Março: 0,33% (baixando a taxa anual para 3,34%)
- Abril: 0,39% (com inflação anual recuando para 3,27%)
Para dezembro, a expectativa é de IPCA de 3,91%, com a mediana das respostas dos últimos cinco dias úteis apontando para um índice ainda menor, de 3,88%.
Efeitos combinados no câmbio e crescimento econômico
A combinação entre a queda dos juros e as mudanças favoráveis nas tarifas americanas tende a gerar impactos positivos em cadeia na economia brasileira. O Brasil, junto com China e Índia (núcleo dos BRICS), é beneficiado pelo nível geral de tarifas de 15%, enquanto Reino Unido e Austrália – que estavam com 10% – são penalizados.
Essa melhora nas condições comerciais deve resultar em:
- Aumento no saldo da balança comercial
- Maior ingresso de dólares na economia
- Alívio nas pressões cambiais
- Contribuição para o controle inflacionário
A primeira reação do mercado já foi perceptível, com o real se valorizando frente ao dólar. Às 13:45 (horário de Brasília), a moeda americana era negociada a R$ 5,1530, representando uma queda de 0,45%. Esta é a menor taxa desde fevereiro de 2024, e nos últimos 12 meses o dólar acumula queda de 10,12% frente ao real.
O Bradesco considera que, como o Brasil era um dos países mais onerados pela política de tarifas anterior, o efeito líquido das medidas atuais é positivo, deixando os produtos brasileiros mais competitivos no mercado americano e abrindo espaço para maior crescimento da economia nacional.