Bolsa brasileira registra alta de 1,59% com otimismo sobre possível trégua na guerra do Irã
A Bolsa de Valores brasileira encerrou o pregão desta quarta-feira com uma expressiva alta de 1,59%, fechando aos 185.424 pontos. O movimento positivo foi impulsionado pelo otimismo dos investidores diante das negociações para uma possível trégua na guerra entre Estados Unidos e Irã, mesmo com declarações contraditórias das partes envolvidas.
Contexto internacional e declarações de Trump
O cenário ganhou força após o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar na terça-feira (24) que houve progressos significativos nas conversas com o Irã. Em pronunciamento na Casa Branca, o republicano mencionou que Teerã teria feito uma "concessão importante" e entregado um "presente muito grande" com valor monetário considerável, embora não tenha detalhado o conteúdo.
Autoridades do governo americano confirmaram que os EUA enviaram ao Irã um plano de 15 pontos para encerrar o conflito. Segundo informações do jornal The New York Times, a proposta incluiria o desmantelamento do programa nuclear iraniano, o fim do apoio a grupos aliados como o Hezbollah e a reabertura do estratégico estreito de Hormuz.
Reação iraniana e impacto nos mercados
Contudo, nesta quarta-feira, o porta-voz militar iraniano, Ebrahim Zolfaqari, negou qualquer negociação com os Estados Unidos e afirmou em rede de televisão estatal que uma trégua "não está no horizonte". Apesar das negativas oficiais, os investidores se mantiveram esperançosos com a possibilidade de um desfecho pacífico que permitiria a retomada do transporte marítimo pelo estreito de Hormuz, por onde passam aproximadamente 20% do petróleo mundial.
Como reflexo dessa expectativa, o barril de petróleo Brent, referência internacional, chegou a cair 6,76% durante o pregão, mantendo-se estável abaixo da marca dos US$ 100. Em Wall Street, os principais índices - S&P 500, Nasdaq e Dow Jones - também registraram altas de até 0,77%, acompanhando o bom humor internacional.
Desempenho do real e análise de especialistas
No mercado doméstico, o real se valorizou frente ao dólar, com a moeda norte-americana registrando queda de 0,66%, cotada a R$ 5,219. Na mínima do dia, o dólar chegou a R$ 5,204, representando uma desvalorização de 0,95%.
Analistas destacam que as discussões sobre um eventual cessar-fogo impulsionaram os mercados acionários globais. Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, comentou: "O fluxo para países emergentes também é sensível a ambientes de aversão a risco, e a grande expectativa é de que a negociação resulte em um ambiente de menor incerteza, mesmo que o acordo ainda não exista".
Para a Ágora Investimentos, enquanto o conflito não termina efetivamente, persistem os temores inflacionários e de juros elevados por mais tempo. Já o J.P. Morgan avalia que o cenário brasileiro permanece positivo, se beneficiando mesmo com a instabilidade global, com a América Latina funcionando como um "porto seguro" e o Brasil melhor posicionado dentro da região.
Cenário volátil e déjà vu no mercado
O pregão carregou uma sensação de déjà vu para os analistas. Na segunda-feira (23), Trump havia afirmado em publicação na rede social Truth Social que EUA e Irã tiveram conversas "muito boas e produtivas" sobre uma resolução completa das hostilidades no Oriente Médio, recuando inclusive de ameaças de destruir usinas de energia iranianas.
Naquele dia, o dólar fechou em forte recuo de 1,31%, a R$ 5,241, enquanto a Bolsa avançou expressivos 3,24%, a 181.931 pontos. Porém, na terça-feira, o conflito escalou novamente com ataques de Israel a instalações de gás iranianas e uma nova onda de mísseis lançada por Teerã contra Tel Aviv, fazendo a moeda americana encerrar o dia em alta de 0,24%, cotada a R$ 5,254.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, resumiu: "A expectativa de um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã chegou a melhorar o apetite por risco. Por outro lado, informações contraditórias sobre a continuidade das tensões na região mantiveram o mercado em compasso de espera".



