Economista da FGV analisa IPCA-15: aumento das passagens gera 'efeito dominó' na inflação
Aumento de passagens causa 'efeito dominó' na inflação, diz FGV

Economista da FGV avalia inflação: aumento das passagens provoca 'efeito dominó' nos preços

Fevereiro de 2026 trouxe um cenário inflacionário acentuado, com o IPCA-15 registrando uma alta de 0,84%, um valor significativamente superior aos 0,20% observados em janeiro. Esse aumento foi impulsionado principalmente pelos reajustes nas tarifas de transporte público em diversas capitais brasileiras, além dos ajustes nas mensalidades escolares. O economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Braz, destaca que esse movimento reflete um padrão sazonal, onde prefeituras concentram aumentos no início do ano, criando um impacto direto no orçamento dos cidadãos que dependem do transporte coletivo diariamente.

Impacto do transporte público e outros fatores no IPCA-15

O reajuste das passagens de ônibus não afeta apenas os usuários diretos; segundo Braz, ele desencadeia um efeito dominó que se espalha por toda a cadeia de serviços, pressionando o índice geral de preços. Além disso, fevereiro testemunhou aumentos nas mensalidades escolares, com altas entre 7% e 8% no ensino fundamental e médio, além de elevações na gasolina, que subiu mais de 1%, e nos preços da alimentação fora de casa, que se tornaram mais salgados com o término das férias. Contudo, houve um alívio parcial com a queda de 11% nas passagens aéreas, demonstrando uma dinâmica variada no setor de transportes.

Previsões e alertas para o futuro da inflação

André Braz projeta que a inflação não se sustentará nesse patamar elevado, prevendo uma desaceleração para março, uma vez que os aumentos observados em fevereiro são considerados pontuais. Ele estima uma inflação de cerca de 3,8% para o ano de 2026, abaixo da meta oficial de 4%. No entanto, o economista mantém um olhar atento ao cenário internacional, onde tensões geopolíticas, como as envolvendo Irã e Estados Unidos, podem influenciar os preços do petróleo e, consequentemente, os combustíveis no Brasil, afetando novamente os custos de transporte.

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Riscos adicionais: impostos de importação e bens duráveis

Outro ponto de preocupação é o aumento do imposto de importação para mais de mil produtos, incluindo máquinas e equipamentos industriais. Se a indústria enfrentar custos mais elevados para produção, há o risco de repasse parcial desses valores aos consumidores, o que poderia impactar a inflação futura. Atualmente, os bens duráveis permanecem relativamente estáveis, com uma alta de aproximadamente 2% nos últimos 12 meses, mas fevereiro deixou claro que eventos como o aumento das passagens de ônibus podem ter efeitos amplificados na economia.

Em resumo, o IPCA-15 de fevereiro destacou a sensibilidade da inflação a ajustes setoriais, com o transporte público atuando como um catalisador significativo. Embora se espere uma moderação nos próximos meses, fatores externos e políticas fiscais continuarão a ser monitorados de perto para garantir a estabilidade econômica.

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