Petróleo em alta pressiona combustíveis no Brasil: entenda os fatores por trás do aumento
Alta do petróleo pressiona combustíveis no Brasil: causas e impactos

Petróleo em alta pressiona combustíveis no Brasil: entenda os fatores por trás do aumento

A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam diretamente os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco imediato de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos significativos no custo de vida da população.

Monitoramento constante dos preços

O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e em todo o território nacional. No mês de fevereiro, os preços dos combustíveis em Araraquara registraram variações típicas, influenciadas majoritariamente por questões nacionais e sazonais, como mudanças tributárias e a menor oferta de cana-de-açúcar.

No período, o etanol e a gasolina tiveram seus preços inflacionados; já o preço do gás de cozinha registrou queda, enquanto o óleo diesel não apresentou variação significativa. Segundo Maria Clara Kirsch, economista do Sincomercio Araraquara, o cenário reforça a influência direta do contexto internacional sobre o mercado interno.

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"Mesmo com fatores internos relevantes, como tributação e oferta de insumos, o comportamento dos combustíveis no Brasil está diretamente ligado à dinâmica global do petróleo, que tem passado por um período de forte instabilidade", destaca a especialista.

Cenário nacional e internacional

Em âmbito nacional, levantamentos apontam que gasolina, diesel e etanol tiveram aumento de preços acima do reajuste do novo ICMS neste mesmo período. O anúncio da Petrobras de redução no preço da gasolina para as distribuidoras no fim de janeiro não chegou aos consumidores até então. No caso do etanol, a menor oferta de cana-de-açúcar contribuiu decisivamente para a alta nos preços.

Já no cenário internacional, o preço do barril Brent (FOB) teve cotação média de US$ 69,39 em fevereiro, acima do patamar do mês anterior (US$ 66,60), em meio a ameaças do governo Trump ao Irã. Os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o terceiro maior produtor de petróleo do mundo, no dia 28, agravaram o conflito e ampliaram as incertezas sobre a oferta global de energia, com o bloqueio do Estreito de Ormuz como resposta iraniana.

No mês de março, o preço do barril Brent ultrapassou os US$ 100, nível não visto desde agosto de 2022, assim como o preço do petróleo doméstico estadunidense West Texas Intermediate (WTI) registrou disparadas significativas. Além disso, 20% do gás natural liquefeito (GNL) mundial transita pelo Estreito de Ormuz e, devido à suspensão de embarques de energia, os valores na Europa dispararam no início do mês.

Posição estratégica do Brasil

Em meio às preocupações que assolam o mercado internacional de petróleo, o Brasil não sofre risco de desabastecimento pelos diversos fatores que o colocam em posição estratégica, mas é afetado pela formação global de preços. A produção de petróleo no Brasil ultrapassa a quantidade consumida, o que configura o país como autossuficiente, com destaque para o desempenho ascendente já no ano de 2025 e no início de 2026.

A importação serve para complementar a produção com óleos de características diferentes, possibilitando o refino e ampliando o leque de derivados fabricados, como lubrificantes. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), no primeiro bimestre do ano o saldo superavitário do petróleo bruto foi de 17,3 milhões de toneladas, resultado 47,4% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior, representando quase US$ 7 bilhões.

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Já a produção de diesel não é autossuficiente e depende da importação de 25% a 30% do combustível consumido no país, o que amplia a sensibilidade do mercado interno às oscilações internacionais. Assim, a alta observada na gasolina e no diesel em março representa um duplo choque de oferta e demanda, tanto pela importação mais cara quanto pelo aumento da procura por estoques, diante das incertezas sobre a disponibilidade futura.

Diversidade de fornecedores e políticas

Nos dois primeiros meses do ano, os principais fornecedores de petróleo refinado ao Brasil foram:

  • Rússia
  • Estados Unidos
  • Omã
  • Arábia Saudita

Sendo que mais da metade das importações são de países fora do Oriente Médio. Tal proporção reforça que os impactos ocorrem principalmente pela formação global de preços, e não por dependência direta do combustível da região.

Desde 2023, com o encerramento da política do Preço de Paridade de Importação (PPI) por parte da Petrobras, o Brasil reduziu a volatilidade imediata nos preços dos combustíveis, evitando repasses automáticos das oscilações externas, embora continue sujeito aos efeitos do cenário internacional. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue acompanhando mensalmente o comportamento dos combustíveis, reforçando seu papel como fonte de análise e informação para empresários, consumidores e a imprensa regional diante de um cenário global ainda incerto.