Datafolha: 46% dos brasileiros veem piora na economia e pessimismo cresce sobre emprego e inflação
46% veem piora na economia; pessimismo cresce, diz Datafolha

Pesquisa Datafolha aponta deterioração na percepção da economia brasileira

Uma nova pesquisa do Datafolha, divulgada na terça-feira (10) pelo jornal Folha de S.Paulo, revela que a visão dos brasileiros sobre a situação econômica do país voltou a se deteriorar. Segundo o levantamento, 46% dos entrevistados avaliam que a economia piorou nos últimos meses, um aumento significativo em relação aos 41% registrados em dezembro. Em contrapartida, apenas 24% acreditam que houve melhora, uma queda de cinco pontos percentuais em relação ao mesmo período, quando o índice era de 29%. Outros 28% afirmam que a situação "ficou como estava".

Metodologia e margem de erro da pesquisa

O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios de todas as regiões do Brasil entre os dias 3 e 5 de março. A pesquisa tem uma margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e um nível de confiança de 95%. Os recortes por religião e preferência política apresentam margens de erro específicas, variando de três a quatro pontos percentuais.

Diferenças marcantes por religião e preferência política

A percepção negativa da economia é mais acentuada entre certos grupos. Entre os evangélicos, 57% avaliam que a situação piorou, enquanto entre os católicos esse índice cai para 41%. No âmbito político, o abismo é ainda maior: 77% dos que pretendem votar em Flávio Bolsonaro (PL) nas próximas eleições acreditam que a economia deteriorou, contra apenas 14% dos eleitores de Lula (PT).

Expectativas para os próximos meses mostram cenário preocupante

O pessimismo também se reflete nas projeções para o futuro. Para 35% dos entrevistados, a economia vai piorar nos próximos meses, um salto em relação aos 21% de dezembro. A expectativa de melhora, que havia alcançado 46% em dezembro, agora está em 30%. As diferenças regionais e sociais são evidentes:

  • No Nordeste, 36% acreditam na melhora, enquanto no Sudeste são apenas 25%.
  • O otimismo é maior entre pretos (32%) e pardos (31%) do que entre brancos (26%).
  • Na divisão por religião, 33% dos católicos estão otimistas, contra 23% dos evangélicos.
  • Politicamente, 51% dos eleitores de Lula preveem melhora, frente a 14% dos apoiadores de Flávio Bolsonaro.

Situação financeira pessoal também preocupa os brasileiros

Os dados indicam que o brasileiro está mais insatisfeito com o próprio bolso. 33% dos entrevistados avaliam que sua situação econômica pessoal piorou, ante 26% em dezembro. A parcela que sentiu melhora caiu de 36% para 30%. É a primeira vez neste período que o sentimento de piora individual apresenta uma alta significativa, aproximando-se do índice de quem vê evolução na renda.

O otimismo com o futuro financeiro pessoal, que havia dado um salto de julho para dezembro, recuou. O grupo dos que esperam melhora na própria condição caiu de 60% para 51%. Na outra ponta, o pessimismo com o futuro pessoal subiu de 10% para 14%.

Preocupação com desemprego atinge maior patamar no governo Lula

O levantamento mostra que 48% dos entrevistados avaliam que o desemprego vai aumentar, ante 42% em junho de 2025. Segundo o Datafolha, este é o maior patamar em termos nominais no atual mandato do presidente Lula, embora esteja empatado na margem de erro com índices anteriores. Apenas 21% acreditam que o desemprego vai cair, o menor valor registrado no atual governo.

O temor não é uniforme:

  • Entre brasileiros de alta renda (acima de dez salários mínimos), 59% preveem alta nas demissões, contra 46% entre os mais pobres (até dois mínimos).
  • Evangélicos (57%) são mais pessimistas que católicos (45%).
  • Entre empresários, o índice chega a 64%, e entre estudantes, a 52%.
  • No recorte político, 65% dos que pretendem votar em Flávio Bolsonaro acreditam no aumento do desemprego.

Inflação e poder de compra geram pessimismo generalizado

A maioria dos brasileiros projeta um cenário de alta nos preços. 61% dos entrevistados acreditam que a inflação vai aumentar nos próximos meses, mantendo-se em patamar estável nos últimos 12 meses. Apenas 11% apostam na queda da inflação, índice que vem diminuindo gradualmente.

Quanto ao poder de compra, 39% acreditam que vai cair nos próximos meses, um aumento em relação aos 36% de junho. Na outra ponta, 32% esperam que o salário aumente, uma leve alta em relação aos 30% anteriores.

Reforma do Imposto de Renda ainda não impacta percepção geral

O levantamento aponta que a reforma do Imposto de Renda ainda não gerou um impacto claro na percepção dos brasileiros sobre as finanças pessoais. Mesmo entre os grupos beneficiados pelas novas regras, o sentimento de melhora não destoa do restante da população. No grupo com renda de dois a cinco salários mínimos, que inclui os novos isentos, 32% afirmaram que sua situação melhorou, índice próximo aos 28% registrados entre os que já não pagavam o imposto anteriormente.

A maior percepção de melhora está na faixa de cinco a dez salários mínimos (35%). Entre os brasileiros com renda acima de dez salários mínimos — grupo impactado pelo novo Imposto de Renda Mínimo —, apenas 25% sentiram melhora, e 30% relataram piora, índice próximo à média geral da pesquisa.