Berlim, cartão postal alemão, se preparava para receber uma fanfest da Copa do Mundo de 2026, que começa em menos de quatro semanas. No entanto, nesta segunda-feira (18), o site oficial da cidade retirou a postagem sobre o evento e afirmou que 'nenhuma fanfest está programada'. As razões variam de erro editorial à falta de patrocinadores, mas a explicação mais provável é o horário noturno dos jogos na Europa.
Horários desfavoráveis
A diferença de fuso horário tornará a primeira Copa dividida em três países um desafio para os torcedores europeus. A Alemanha, por exemplo, estreia contra Curaçao às 19h locais, mas enfrentará Costa do Marfim e Equador às 22h. A França, na segunda rodada, jogará contra o Iraque às 23h, enquanto a Holanda enfrentará a Tunísia às 2h. A Espanha também jogará às 2h contra o Uruguai. A Fifa priorizou as seleções mais fortes nos horários nobres: a Áustria, longe de ser potência, fará duas partidas às 4h; a Turquia jogará às 6h, 5h e 4h.
Cidades desistem
Colônia e Dusseldorf, outros grandes centros urbanos, também abdicaram das fanfests devido aos horários e à falta de interessados em organizar os eventos. Os torcedores que saírem de casa terão que recorrer a áreas privadas, bares e restaurantes, dependendo da legislação local. Diferentemente do Brasil, é raro um jogo de futebol começar depois das 21h na Europa. Berlim, conhecida por suas baladas, tem uma lei do silêncio entre 22h e 6h. A administração aprovou uma exceção para a Copa, permitindo que bares exibam jogos que comecem até as 22h.
Crise com os EUA
O horário tardio se soma ao mau humor dos europeus com Donald Trump. Os EUA, palco principal da Copa com 78 dos 104 jogos, assustam por várias razões: a truculência do ICE (polícia de imigração), os preços exorbitantes dos ingressos e o custo das passagens aéreas. A crise energética, consequência da guerra no Irã iniciada por EUA e Israel, também pesa. A imagem americana na Alemanha se deteriorou com o tarifaço de Trump contra o maior exportador europeu, no ano passado, contaminando até o primeiro-ministro Friedrich Merz. Após provocar reação de Trump ao dizer que os EUA estavam sendo humilhados por Teerã, Merz declarou que não recomendaria o país como destino para estudos ou trabalho. 'Sou um grande admirador dos EUA, mas no momento minha admiração não está aumentando', afirmou.
Pesquisas e boicote
Segundo pesquisa da SLC Management, 63% dos alemães interessados em viajar para a Copa disseram que a situação do país era um impeditivo. No início do ano, outro levantamento do jornal Bild mostrou que 47% da população apoiaria a seleção alemã em caso de boicote. A crise entre EUA e Europa estava no auge devido à ameaça de Trump de invadir a Groenlândia. Especialistas e a imprensa, no entanto, concordam que, quando a bola começar a rolar em 11 de junho, com ou sem fanfest, boa parte dos pruridos será deixada de lado, assim como o relógio.



