Suspensão russa de fertilizante acende alerta sobre dependência do Brasil no agronegócio
A decisão da Rússia de interromper temporariamente a produção de nitrato de amônia acendeu um sinal de alerta para países dependentes deste insumo, como o Brasil. O fertilizante é essencial para o agronegócio e sua oferta global já vinha sendo pressionada por gargalos logísticos e tensões geopolíticas crescentes.
Paralisia na produção e impacto global
Responsável por aproximadamente 40% da produção mundial, a Rússia informou nesta terça-feira, 24 de março de 2026, que suspenderá a fabricação do produto por um mês inteiro, com retomada prevista apenas para meados de abril. Além disso, o país não deve conseguir ampliar a produção ao longo de todo o ano de 2026, em meio a uma crise de abastecimento que foi agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
Esta rota marítima é crucial, pois por ela passa cerca de 24% do comércio global de amônia, que é a matéria-prima fundamental para a produção do nitrato de amônio. A paralisação não se limita apenas à produção; o governo russo também anunciou a interrupção das licenças de exportação do fertilizante.
Priorização do mercado interno russo
Segundo o Ministério da Agricultura da Rússia, apenas contratos governamentais serão mantidos durante este período. “No contexto da crescente demanda de exportação por fertilizantes nitrogenados, a suspensão do seu fornecimento ao exterior permitirá que as necessidades do mercado interno sejam priorizadas durante a temporada de trabalho de campo da primavera”, explicou o ministério em comunicado oficial.
O impacto desta medida pode ser significativo para os mercados importadores, que dependem fortemente do fornecimento russo. O Brasil está entre os principais destinos do nitrato de amônio produzido na Rússia, ao lado de países como Índia, Peru e Marrocos, o que reforça a vulnerabilidade e a dependência externa do insumo por parte da nação brasileira.
Problemas na infraestrutura de produção
A situação se torna ainda mais crítica devido a problemas na infraestrutura de produção dentro da própria Rússia. Em fevereiro, drones ucranianos atingiram a fábrica de Dorogobuzh, que é a principal unidade da empresa Acron no oeste russo.
Esta planta é responsável por cerca de 11% da produção total do país, e a expectativa é de que ela só volte a operar em sua capacidade plena a partir do mês de maio. Este ataque representa um golpe adicional na já frágil cadeia de suprimentos globais.
Dualidade de uso e sensibilidade geopolítica
Além de sua relevância crítica para o setor agrícola, o nitrato de amônia também é utilizado na fabricação de explosivos, o que adiciona uma camada extra de sensibilidade ao mercado em meio ao cenário geopolítico atual. Esta dualidade de uso torna o produto ainda mais estratégico e sujeito a flutuações e restrições em períodos de conflito.
A combinação da paralisação da produção, das interrupções nas exportações e dos danos à infraestrutura cria um cenário preocupante para o agronegócio brasileiro, que precisa deste insumo para manter sua produtividade e competitividade no mercado internacional.



