Governo Federal anuncia investimento de R$ 26 milhões para combater praga da mandioca no Amapá
O Governo Federal anunciou nesta quinta-feira (26) um investimento de R$ 26 milhões destinado ao estado do Amapá para enfrentar a grave crise causada pela praga da mandioca, conhecida como Vassoura de Bruxa. O fungo tem devastado plantações há pelo menos dois anos, comprometendo a produção de alimentos básicos como farinha e mandioca, que são essenciais para a economia e a segurança alimentar de comunidades tradicionais.
Impacto devastador na agricultura familiar
A praga já destruiu diversas plantações, afetando especialmente os povos indígenas, que são os principais produtores de mandioca na região Norte. A situação tem gerado dificuldades econômicas significativas, com muitas famílias dependendo de cestas básicas para sobreviver. Desde a detecção do fungo, foram implementadas barreiras fitossanitárias e iniciados estudos para conter sua proliferação, mas os danos continuam a se expandir.
Destinação dos recursos federais
Os recursos, anunciados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, serão aplicados ao longo de dois anos em três frentes principais:
- Assistência técnica para povos indígenas, visando capacitar os agricultores no manejo sustentável.
- Ações emergenciais contra a praga, incluindo medidas de contenção e controle.
- Projetos de incentivo às florestas produtivas, que buscam unir produção agrícola com preservação ambiental.
Segundo Camilo Capiberibe, presidente da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), uma das estratégias inclui o reflorestamento das áreas atingidas e o estudo de novas culturas mais resistentes. "É fundamental garantir comida na mesa do agricultor, que hoje enfrenta dificuldades e depende de cestas básicas. Ao mesmo tempo, é preciso diversificar a produção", afirmou Camilo.
Municípios afetados e estratégia de longo prazo
A doença foi detectada em vários municípios do Amapá, incluindo:
- Oiapoque
- Tartarugalzinho
- Ferreira Gomes
- Pedra Branca do Amapari
- Calçoene
O ministro Paulo Teixeira destacou que a meta vai além de conter a crise imediata. "Com esses recursos, vamos orientar a substituição por espécies mais resistentes e o descanso das áreas, para evitar a disseminação do fungo no Amapá", explicou. A iniciativa faz parte de uma estratégia nacional para ampliar o apoio à agricultura familiar e enfrentar desafios sanitários, com foco na criação de um modelo agrícola sustentável para o futuro.
Benefícios esperados e alcance do programa
Os investimentos devem beneficiar diretamente 950 famílias atendidas pela Anater no Amapá, promovendo não apenas a recuperação das lavouras, mas também a diversificação da produção e a resiliência ambiental. A proposta de florestas produtivas representa uma inovação que pode servir de exemplo para outras regiões do país, equilibrando necessidades econômicas com conservação ecológica.



