Maria Casadevall aborda fascismo e desmonte cultural em entrevista exclusiva
A atriz Maria Casadevall está em cartaz no Rio de Janeiro com a peça Um Dia Muito Especial, que se despede do público neste fim de semana no Teatro Claro Mais. Em entrevista à coluna GENTE, a artista não apenas refletiu sobre a temporada carioca, mas também fez duras críticas ao que chamou de "desmonte" da cultura nacional durante o governo Bolsonaro.
Peça histórica ganha urgência contemporânea
A obra, inspirada no clássico cinematográfico de Ettore Scola e ambientada na Itália fascista dos anos 1930, tem sido encenada por Casadevall ao lado de Reynaldo Gianecchini. Segundo a atriz, a trama adquiriu um peso ainda maior no cenário político atual. "A temática fascista da peça parecia superada, mas infelizmente, com ideologias fascistas ocupando espaços de poder no mundo, abordar esse assunto hoje é mais urgente do que quando a peça foi escrita", afirmou.
Casadevall destacou que a produção assume um caráter de denúncia e provoca reflexões extremamente contemporâneas, especialmente em relação à condição da mulher em sociedades patriarcais e à marginalização de corpos LGBTQIAPN+.
Parceria no palco e processo criativo
Sobre a parceria com Gianecchini, a atriz revelou que o processo de ensaio foi acolhedor e nutritivo. "Criamos um espaço seguro na sala de ensaio, onde nossas vulnerabilidades puderam se mostrar sem medo. Isso permitiu que a parceria nascesse e o jogo fluísse naturalmente para o palco", explicou.
A temporada no Rio foi marcada por casas lotadas e um público atento, que acompanhou com maturidade os momentos de tensão e desconforto propostos pela peça. "O público esteve realmente disponível para ouvir a história que temos para contar", completou.
Críticas ao desmonte cultural
Questionada sobre o momento atual do cinema brasileiro, Casadevall foi enfática ao mencionar os impactos do período bolsonarista. "Estamos colhendo bons frutos e reconhecendo a importância do incentivo à cultura nacional depois de um período de desmonte, sucateamento e abandono", disse.
A atriz expressou o desejo de trabalhar em projetos cinematográficos que envolvam mulheres, pessoas trans e corpos diversos, com histórias que promovam transformação pessoal e social. "Quero contar histórias que considero relevantes e que tenham potencial de transformação coletiva", afirmou.
Vida pessoal e próximos passos
Conhecida por levar uma vida discreta longe dos holofotes, Casadevall atribui seu equilíbrio ao movimento, à respiração consciente e à fé. Sobre os planos futuros, a atriz anunciou que a peça seguirá em turnê pelo Brasil, e ela pretende conciliar a agenda com novos projetos no audiovisual.
Um Dia Muito Especial encerra sua temporada carioca no domingo, 29, mas a mensagem de alerta contra o fascismo, segundo Casadevall, continua mais necessária do que nunca.



