Queda de 27,4% no preço do suíno vivo alerta para crise dos produtores em MT
Queda de 27,4% no suíno vivo acende alerta de crise em MT

O preço pago ao produtor de suíno vivo no estado de Mato Grosso registrou uma queda de 27,4%, conforme levantamento da Bolsa de Suínos da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat). Essa redução, no entanto, não é percebida pelo consumidor final nos supermercados e açougues, o que acende um alerta para a crise no setor, segundo os produtores.

Produtores pedem que varejo repasse queda ao consumidor

O presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, explicou que, sem sentir a redução nos preços, o consumidor não é incentivado a comprar, estagnando o mercado para os criadores. “Fazemos um apelo para que o varejo acompanhe a redução e, assim, incentive o consumidor a comprar mais carne suína, já que estará barato na ponta final”, destacou.

Produtora relata prejuízos crescentes

A produtora Raquel Martelli Ribeiro, integrante da terceira geração da família na criação de suínos, afirmou que os prejuízos têm aumentado semana após semana. “No ano passado, trabalhávamos com um preço mais alto e, agora, mesmo com a queda para o produtor, o valor ao consumidor final permanece praticamente inalterado”, disse.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Oferta maior que demanda e consumo doméstico em baixa

Frederico informou que atualmente há uma oferta de suínos maior do que a demanda. Embora as exportações tenham batido recorde de 150 mil toneladas de carnes vendidas, o consumo doméstico, responsável por 75% do setor, desaqueceu. Tradicionalmente, o início do ano registra retração nas vendas por conta das férias, Carnaval e Semana Santa, mas, ao contrário de outros anos, o mercado não apresentou recuperação após esse período. “Temos essa queda tão acentuada, porque aquele aquecimento do consumo não está acontecendo. Portanto, está sobrando suíno vivo”, explicou.

Atividade no vermelho

O produtor Josimar Canossa, que trabalha há 30 anos no setor, contou que a crise já compromete a margem de lucro e coloca a atividade no vermelho, travando investimentos e dificultando a manutenção do capital de giro. “Em novembro e dezembro do ano passado, eu vendia, em média, 2,5 mil animais, mas agora são apenas 1,2 mil, e o restante está estagnado”, relatou.

Já o produtor Jair Kreibich ressaltou que outros desafios enfrentados pelo setor estão ligados aos custos com encargos financeiros para quem precisa projetar compras, além do aumento expressivo dos impostos sobre operações financeiras e da mão de obra.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar