Produtor rural de Santa Catarina descarta 50 toneladas de ameixa após falha na comercialização
Um produtor rural de Urubici, uma das cidades mais frias do Brasil localizada na Serra de Santa Catarina, está repercutindo intensamente nas redes sociais após divulgar um vídeo emocionado em que disponibiliza aproximadamente 50 toneladas de ameixas para doação. O agricultor familiar Leandro Schmitz, residente na localidade de Santo Antão, explicou que não conseguiu comercializar sua produção deste ano.
Vídeo viraliza com apelo emocionado do produtor
No áudio do vídeo, publicado no sábado e que já acumulava quase 50 mil visualizações na noite de segunda-feira (30), Schmitz aparece visivelmente emocionado: "Cinquenta toneladas de ameixa fora porque não tem comércio. Quem quiser vir pegar, pode vir pegar". As imagens foram rapidamente replicadas por diversas páginas e alcançaram alcance viral, gerando comoção e discussão sobre os desafios da agricultura familiar no país.
Colheita tardia e saturação do mercado explicam situação
O produtor cultiva cerca de dois hectares de ameixa e sua colheita, que começou em novembro, estende-se tradicionalmente até março. Como os compradores habituais não demonstraram interesse nesta safra, a produção foi armazenada na câmara fria da propriedade durante fevereiro na tentativa de retardar o amadurecimento. Com o passar do tempo, no entanto, as frutas perderam qualidade para o mercado convencional e precisaram ser descartadas.
Maêve Silveira Castelo Branco, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), explicou que a colheita da ameixa neste ano começou de forma tardia e coincidiu com períodos de colheita de outras frutas como pitaya e maçã, criando uma saturação no mercado que reduziu significativamente o poder de compra dos comerciantes.
Falta de indústria processadora agrava problema
Castelo Branco destacou ainda outro fator crucial: "Outra questão bastante importante é que a cultura da ameixa não tem uma indústria que compre essa produção de frutos de menor qualidade, frutos miúdos ou frutos que tenham tido algum dano durante a produção, como um granizo". Esta ausência de uma cadeia industrial para processamento de frutas com pequenos defeitos ou tamanho reduzido limita drasticamente as opções dos produtores quando enfrentam dificuldades de comercialização no mercado fresco.
A situação ilustra os desafios estruturais enfrentados por pequenos agricultores no Brasil, especialmente em culturas perecíveis como frutas, onde fatores climáticos, timing de colheita e condições de mercado podem determinar o sucesso ou fracasso de uma safra inteira. O caso também levanta questões importantes sobre desperdício de alimentos e a necessidade de políticas públicas que apoiem a comercialização da produção agrícola familiar.



