Juros altos e endividamento recorde travam crescimento e pressionam empresas brasileiras
Juros altos e endividamento travam empresas brasileiras

Juros altos e endividamento recorde travam crescimento e pressionam empresas brasileiras

O cenário econômico brasileiro enfrenta uma crise profunda, com empresas de todos os portes sendo empurradas para uma onda de insolvências. Juros elevados, endividamento recorde e crédito caro estão travando o crescimento e pressionando as companhias, que veem seus recursos consumidos apenas para sobreviver, em vez de investir em produção ou inovação.

Números alarmantes de inadimplência

Segundo um levantamento do bureau de análise de crédito Serasa Experian, 2025 terminou com 8,9 milhões de empresas inadimplentes, um recorde histórico que representa um aumento de 29% em relação a 2024. No mesmo período, o volume de dívidas em atraso cresceu 42%, atingindo R$ 213 bilhões, também um máximo. Nem mesmo a elite do capitalismo brasileiro escapou: um estudo da consultoria RK Partners com empresas listadas na B3 mostra que 24% delas não geram caixa suficiente para honrar compromissos.

Custo financeiro impagável e juros elevados

O custo financeiro das dívidas está se tornando impagável, conforme destacado por especialistas. Salvatore Milanese, sócio da Pantalica Partners, afirma que as taxas estão insustentáveis. Em março, enquanto o Banco Central iniciava um ciclo de cortes da Selic, reduzindo-a para 14,75% ao ano, linhas de crédito como capital de giro e desconto de duplicatas ficaram mais caras, com alta para 25,8%. Contas garantidas, uma espécie de "cheque especial" para empresas, chegaram a ter juros próximos a 150% ao ano, segundo a Anefac.

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Recuperação judicial em alta e risco de falências

Milhares de empresas já estão na antessala da bancarrota. A consultoria RGF relata que 2025 encerrou com 5.680 companhias em recuperação judicial, um salto de 24% sobre 2024. As recuperações extrajudiciais também aumentaram. Denis Morante, sócio da Fortezza Partners, alerta que em muitas empresas, até 60% da geração de caixa é consumida pelos juros, e se o ciclo de juros altos se prolongar, uma onda de falências pode ocorrer.

Setores mais afetados: agropecuária e indústria

As dificuldades se espalham por todos os setores, mas a agropecuária e a indústria se destacam. Na agropecuária, 1.665 empresas recorreram à proteção legal desde 2025, pressionadas pela queda dos preços das commodities e aumento dos custos. No setor industrial, 1.229 negócios seguiram esse rumo, incluindo a Lupatech, que pediu recuperação judicial pela segunda vez para renegociar R$ 386 milhões em dívidas.

Impacto da dívida pública e cenário global

Um fator que escapa ao controle das empresas é a escalada da dívida pública, alimentada por gastos governamentais que atiçam a inflação e forçam o Banco Central a manter a Selic elevada. Isso aumenta o prêmio de risco e as taxas de juro no mercado. Além disso, a guerra no Oriente Médio elevou custos operacionais, como preços do petróleo, combustíveis e fretes, prejudicando empresas globalmente, como a Lycra, que pediu proteção da Lei de Falências dos EUA.

Medidas paliativas e perspectivas futuras

Diante do endividamento preocupante, o governo busca soluções paliativas, como um novo pacote para renegociação de dívidas, que pode incluir liberação do FGTS e apoio do BNDES para pequenas e médias empresas. No entanto, especialistas alertam que essas medidas estão longe de resolver os fatores estruturais que estrangulam as finanças empresariais, com o risco de falências continuando a crescer em um ambiente de incerteza econômica.

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