Ex-vices governadores enfrentam corrida contra o tempo para reeleição em 2026
Uma onda histórica de reeleições em 2022, com 90% dos governadores reconduzidos, levou onze chefes de Executivos estaduais a renunciarem recentemente, alçando seus vices ao poder. Agora, nove desses novos governadores têm apenas seis meses para se firmar perante o eleitorado e buscar a reeleição em outubro de 2026. O desafio é imenso: superar o desconhecimento público, lidar com heranças políticas complexas e utilizar a máquina estatal de forma estratégica nesta disputa acirrada.
Desafios variados em diferentes estados
Em Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), que assumiu após Romeu Zema, patina nas pesquisas com menos de 10% das intenções de voto, apesar do endosso do ex-governador. Simões iniciou uma turnê por vinte regiões do estado para se fazer conhecido, mas enfrenta gargalos deixados por Zema, como indicadores sociais fracos e alianças municipais insuficientes. "Não há estratégia de marketing ou controle da máquina pública que supere a falta de entregas à população e a ausência de palanques municipais", avalia Eduardo Grin, cientista político da FGV-SP.
No Pará, Hana Ghassan (MDB), sucessora de Helder Barbalho (com 79% de aprovação), tem apenas 26% dos votos e está empatada com o rival Daniel Santos. Situação similar ocorre no Espírito Santo, onde Ricardo Ferraço (MDB), aliado do ex-governador Renato Casagrande (79% de aprovação), tem 35% das intenções e empata com Lorenzo Pazolini. Em contraste, em Goiás, Daniel Vilela (MDB) herda os louros de Ronaldo Caiado (85% de aprovação) e lidera as pesquisas com folga, cerca de 20 pontos à frente do ex-governador Marconi Perillo.
Vantagens e riscos do controle da máquina pública
Os neogovernadores beneficiam-se do controle da máquina estatal, com orçamento e aparato à disposição para inaugurar obras e ganhar simpatia eleitoral. "Não tenho dúvida de que esses governadores já têm um calendário estruturado de inauguração de obras, de aparições públicas para se fazerem conhecer", diz Lucas Thut Sahd, do Real Time Big Data. A cobertura midiática rotineira também ajuda a alavancar seu potencial.
No entanto, há riscos. No Distrito Federal, Celina Leão (PP) tem cerca de 40% das intenções, mas o envolvimento do ex-governador Ibaneis Rocha com o escândalo do Banco Master pode causar desgaste. Além disso, o desconhecimento do eleitorado é um obstáculo chave: em Minas, 36% não conhecem Simões o suficiente para votar nele; no Pará, 37% têm a mesma percepção sobre Ghassan. "Uma virada depende de uma participação mais incisiva do ex-governador na campanha", observa Paulo Ramirez, cientista político da ESPM.
Casos históricos e lições para o futuro
A história recente oferece exemplos tanto de fracasso quanto de sucesso. Rodrigo Garcia, que assumiu São Paulo após João Doria, nem chegou ao segundo turno em 2022, encerrando a hegemonia do PSDB no estado. Por outro lado, Antonio Anastasia, vice de Aécio Neves, conseguiu se reeleger e consolidar uma imagem própria, sendo eleito senador posteriormente.
Os partidos do Centrão, como PSD, MDB, Republicanos, União Brasil e PP, controlam fundos eleitorais e tempo de propaganda, buscando expandir influência nacional através de palanques estaduais. Porém, o resultado é imprevisível, como mostram situações inusitadas: no Rio de Janeiro, a ausência de vice levou a um caos, com o desembargador Ricardo Couto assumindo temporariamente, enquanto no Amazonas, renúncias simultâneas obrigaram o presidente da Assembleia, Roberto Cidade, a tomar posse.
Os próximos meses serão decisivos para esses governadores. Eles precisarão aliar uso eficaz da máquina pública, estratégias de campanha e articulação de alianças para converter o legado de seus padrinhos em votos e convencer os eleitores de que a continuidade é a melhor opção. O relógio já está correndo nesta corrida de tiro curto e resultado incerto.



