Agricultores familiares da zona rural de Boa Vista, em Roraima, deram início ao plantio da safra 2026 de milho, aproveitando a chegada do período chuvoso. Com suporte de mecanização agrícola, distribuição de sementes e assistência técnica, a expectativa é ampliar a produção em mais de 1,1 mil hectares neste ano.
Plantio no Passarão
Na região do Passarão, a 43 quilômetros do Centro de Boa Vista, a agricultora familiar Mirlene Marques acompanha o início do plantio na propriedade onde vive com a família há 16 anos. Nesta safra, ela cultiva oito hectares de milho. O início do período chuvoso é considerado a janela ideal para o plantio de milho. Para ter melhor desempenho na lavoura, a agricultora participou de capacitações e aprendeu a operar os maquinários usados na propriedade. "Todos os anos a gente faz o preparo do solo, quando chega esse período corremos pra fazer os plantios. A gente espera colher 145 sacas por hectare", disse.
Armazenamento e distribuição de sementes
As sementes entregues aos produtores da região passam antes pelo Centro de Difusão Tecnológica, onde ficam armazenadas em câmaras frias para preservar a qualidade e garantir melhor desenvolvimento da lavoura. Segundo o engenheiro agrônomo Roy Santos, o armazenamento correto evita perdas e ajuda no desempenho da produção durante a safra. "As sementes são regionalizadas, são adequadas para o plantio na nossa região, essas sementes são da safra atual. Antes a gente entrega o adubo ao agricultor e no dia do plantio tiramos elas da climatização e levamos para propriedade o mais rápido para que não perca o vigor", explicou.
O Programa Municipal de Desenvolvimento do Agronegócio (PMDA) deve distribuir mais de 900 sacos de sementes, com cerca de 60 mil sementes cada, para agricultores da região. O projeto é gerido pela Prefeitura de Boa Vista.
Desafios climáticos
O plantio acontece em um momento estratégico. A previsão de influência do fenômeno El Niño preocupa produtores e técnicos, já que pode provocar chuvas mais escassas e um inverno mais curto em Roraima.
História de sucesso no Truaru da Cabeceira
Enquanto isso, no Truaru da Cabeceira, a agricultora Inês Lopes, de 62 anos, vive a expectativa da segunda safra de milho na propriedade onde mora há mais de duas décadas. Antes do milho, ela trabalhava com criação de galinhas, porcos e peixes. Foi no cultivo do grão que encontrou mais estabilidade financeira. Em uma área de dois hectares, ela aproveita a versatilidade do milho tanto para comercialização quanto para alimentação animal. E já faz planos maiores: ampliar a produção e alcançar novos mercados. "Ano passado plantei milho e gostei, esse ano decidi plantar de novo com o apoio da prefeitura. O milho serve pra minhas galinhas, pra fazer mingau, armazenar e vender depois. Estou pensando no ano que vem, vender para a Guiana. Aqui eu quero plantar, ter minha plantação", afirma.
Importância da mecanização
Segundo o engenheiro agrônomo Rodolpho Galvão, a mecanização tem papel fundamental para aumentar a produtividade dos pequenos agricultores. "A gente coloca o grão na plantadeira com uma regulagem pronta, são entorno de 3 sementes por metro linear e calculando serão 60 mil sementes por hectare. Então a gente tem essa estimativa de plantio por hectare."
Perspectivas de colheita
Para quem vive da agricultura familiar, plantar no tempo certo faz toda diferença. E a expectativa agora fica para a colheita, prevista entre setembro e outubro, período que representa renda, sustento e o resultado de meses de trabalho no campo.



