A construção civil em Santarém, no oeste do Pará, vive um momento de transformação. Além da crescente demanda por mão de obra, o setor registra um avanço significativo na participação feminina, tanto nos canteiros de obras quanto em funções de liderança nas empresas.
Mulheres representam 10% da mão de obra
De acordo com o Sindicato da Construção Civil do Oeste do Pará, a falta de trabalhadores qualificados na cidade tem impulsionado a busca por novos profissionais. O presidente da entidade, José Maria Viana, destacou que as mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço em áreas antes predominantemente masculinas. Atualmente, elas já representam cerca de 10% da mão de obra da construção civil no município, atuando em diferentes frentes, desde serviços operacionais até cargos administrativos e técnicos.
Exemplo de equipe feminina
Em uma empresa do setor, a técnica de segurança do trabalho Francilene Rabelo integra uma equipe composta também por uma engenheira civil e três estagiárias das áreas de engenharia e segurança do trabalho. "Temos uma engenheira civil, eu como técnica de segurança e uma estagiária de engenharia pela manhã, além de duas estagiárias do curso técnico de segurança", destacou Francilene.
Ela conta que atuar na construção civil exige dedicação e responsabilidade, mas afirma que o cenário vem mudando com a maior presença feminina. "Hoje vejo que competência, responsabilidade e dedicação não têm gênero. É gratificante contribuir em um ambiente que vem evoluindo e abrindo espaço para mulheres capacitadas", afirmou.
Desafios e conquistas
Francilene relembra os desafios enfrentados em um ambiente historicamente masculino, mas ressalta que o profissionalismo tem sido essencial para conquistar respeito. "No início era visto como um ambiente mais masculino, mas acredito que respeito e profissionalismo fazem a diferença. Tenho muito orgulho do meu trabalho e do espaço que conquistei", disse. "As mulheres hoje na área da construção civil estão se tornando uma referência para todos os trabalhadores", completou.
Atuação em obras e liderança
Segundo José Maria, profissionais mulheres já trabalham em obras do programa Minha Casa Minha Vida, em prédios no centro de Santarém e em outros empreendimentos. Além de cargos administrativos, elas ocupam funções diretamente ligadas às obras, como pedreiras, carpinteiras e armadoras, atividades historicamente associadas ao público masculino.
O presidente do sindicato ressaltou que muitas empresas têm apostado na liderança feminina em setores estratégicos. "Hoje as empresas têm mulheres como técnica de segurança, RH, administradora e zeladora", explicou. Ele destacou que há inclusive uma empresa em Santarém cuja administração é praticamente toda formada por mulheres.
Perspectivas de crescimento
Para o sindicato, a presença feminina no setor representa uma mudança importante no mercado de trabalho local e acompanha o crescimento da construção civil na região. A expectativa é que, com a ampliação de cursos de qualificação profissional e a abertura de novas vagas, mais mulheres passem a integrar o setor nos próximos anos.



