Setor de máquinas agrícolas projeta queda no faturamento em 2026; entenda
O setor de máquinas e equipamentos agrícolas iniciou o ano de 2026 com uma queda expressiva de 17% no faturamento, e as projeções indicam uma retração de 8% ao longo do ano. Essa situação é atribuída a fatores como a elevada taxa de juros, a baixa no mercado de commodities e as incertezas geradas pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Impacto nas vendas e no mercado interno
De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as empresas do segmento faturaram R$ 8 bilhões entre janeiro e fevereiro. O mercado interno, que responde por 85% desse montante, registrou R$ 6,8 bilhões, refletindo os efeitos dos problemas macroeconômicos.
Pedro Estevão Bastos de Oliveira, presidente da câmara setorial de máquinas agrícolas da Abimaq, explica: "É uma queda bem grande. Isso se explica pelo preço das commodities. As principais commodities estão com preços um pouco abaixo no mercado internacional e se junta a isso o câmbio. Lembrando que ano passado o câmbio estava a R$ 6,20, veio caindo, está em R$ 5,10 em janeiro, e isso diminui a rentabilidade do agricultor".
Exportações e projeções para o ano
As exportações alcançaram US$ 239 milhões, equivalentes a R$ 1,2 bilhões, com um aumento de 9% em relação ao mesmo período de 2025. No entanto, esse crescimento não é suficiente para compensar o cenário desafiador. A Abimaq mantém a expectativa de uma baixa de 8% no faturamento total de 2026 em comparação com 2025, que foi de R$ 66,7 bilhões.
Essa projeção acompanha uma estimativa do Ministério da Agricultura de queda de 3% no PIB agrícola. Oliveira complementa: "O ano realmente não tem cara de que vai ser um ano bom, vai ser um ano ruim. A única coisa que a gente tem de positivo é que estamos tendo uma boa safra, uma safra recorde, ou seja, o pessoal tem colhido bem, com produtividades altas, mas a queda de preço não foi maior do que a produção".
Queda nas vendas de tratores e colheitadeiras
Um dos indicadores que ajudam a explicar a retração no faturamento é a comercialização de tratores, que caiu 15,9% na comparação anual. Foram vendidas 5.375 unidades ao usuário final entre janeiro e fevereiro de 2026, contra 6.392 no mesmo período de 2025.
Para as colheitadeiras, a proporção negativa foi ainda maior, com uma queda de 40%, totalizando 309 unidades comercializadas no primeiro bimestre. Leonardo Gatto Silva, coordenador de competitividade, economia e estatística da Abimaq, analisa: "Já se começa a sentir um certo esfriamento no mercado, lá na ponta. (...) A gente já tenta antever algum movimento que pode atingir as fábricas no futuro".
Importância para eventos como a Agrishow
Além de representar aproximadamente 20% dos negócios monitorados pela Abimaq, o movimento da indústria de máquinas agrícolas serve como um importante termômetro para eventos como a Agrishow, uma das maiores feiras de tecnologia agrícola do mundo, realizada em Ribeirão Preto (SP) entre o fim de abril e o início de maio.
Essa retração no setor pode influenciar diretamente o desempenho e as expectativas durante a feira, refletindo as dificuldades enfrentadas pelos agricultores e fabricantes diante do cenário econômico atual.



