Feira do Agro em Mato Grosso exibe motores convertidos para etanol como alternativa ao diesel
No coração do principal eixo produtor de soja e milho do Brasil, uma feira do agronegócio em Lucas do Rio Verde, norte de Mato Grosso, está se destacando ao apresentar soluções inovadoras para os desafios atuais do setor. Com o aumento recente dos preços do diesel, que é crucial para o escoamento da produção e o funcionamento do maquinário, o evento reúne mais de 600 expositores focados em tecnologia e sustentabilidade.
Conversão de motores para etanol ganha destaque
Um dos grandes destaques da feira é a conversão de motores a diesel para operarem com etanol, uma iniciativa liderada por uma startup brasileira. Segundo Pedro Stefanini, diretor e fundador da empresa, o etanol oferece vantagens significativas: "Além de estar amplamente disponível no estado, é um produto das indústrias locais e é absolutamente sustentável do ponto de vista de queima limpa". A tecnologia promete aumento de potência, redução de custos operacionais e diminuição das emissões de carbono, alinhando-se às necessidades dos produtores rurais.
Orcival Guimarães, produtor rural e empresário, enfatiza a importância dessa inovação: "O maquinário atual é de altíssima tecnologia, e tudo aqui proporciona redução no uso de óleo diesel. Isso já era importante antes, mas hoje, com os preços elevados, torna-se ainda mais crucial". A adaptação permite que os agricultores tenham alternativas viáveis de combustível, diversificando suas fontes de energia e aumentando a resiliência econômica.
Biodiesel de soja e drones agrícolas ampliam as soluções
Além do etanol, a feira apresenta outras tecnologias sustentáveis. Uma multinacional exibiu um dos seus 100 caminhões que rodam com biodiesel produzido a partir da soja cultivada e processada pela própria empresa. Carlos Cabral, gerente de operações industriais, comenta: "Nessas incertezas que temos com o cenário de guerra e outros fatores, é uma saída valiosa para os operadores de logística do Brasil". Essa abordagem integrada reduz a dependência de combustíveis fósseis e promove a economia circular no agronegócio.
O evento também inclui avanços em genética vegetal e maquinários gigantes, mas um item que chamou a atenção foi um avião agrícola não tripulado. Gerardo Monzon, engenheiro agrônomo e piloto que veio do Paraguai para ver a novidade, explica: "Não tem erro humano e, ao não ter erro humano, pode trabalhar mais tempo. Ao trabalhar mais tempo, tem mais produtividade". Esses drones prometem ganhos de eficiência e precisão nas operações de campo, representando um salto tecnológico para a agricultura moderna.
Infraestrutura e importância do evento
Rodrigo Pasqualli, diretor da Fundação Rio Verde, destaca a relevância da feira: "O evento consegue fazer essa amostra de tudo que é moderno e importante no contexto agro do Brasil. Isso representa a importância do estado do Mato Grosso nesse cenário". Em um estado marcado por grandes distâncias, a pista de pouso local facilita a chegada de visitantes, incluindo produtores e investidores de diversas regiões, ampliando o alcance e o impacto das inovações apresentadas.
Com foco em reduzir custos, aumentar a sustentabilidade e adaptar-se às mudanças do mercado, a feira em Lucas do Rio Verde se consolida como um ponto de convergência para o futuro do agronegócio brasileiro, demonstrando como a tecnologia pode transformar desafios em oportunidades de crescimento e desenvolvimento.



