Pesquisa da Univasf revela que cigarrinha se prolifera mais com altas temperaturas
Um estudo realizado no Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) identificou indícios claros de que a cigarrinha, uma praga agrícola significativa, se prolifera mais intensamente quando são registradas temperaturas mais altas na região. A pesquisa, conduzida pelo pesquisador Ronny Elisson Ribeiro Cavalcante, foi realizada entre os meses de março e dezembro de 2022, abrangendo um ciclo anual completo.
Lacuna científica preenchida
Em sua dissertação, Cavalcante indica que nos meses em que a temperatura média estava mais elevada naquele período, foram verificadas as maiores densidades de cigarrinhas. Essa tendência de comportamento foi um dos principais achados da pesquisa, que se propôs a reduzir uma lacuna científica importante. Segundo o pesquisador, até então, não havia registro de identificação, plano de amostragem, estudo da dinâmica populacional, caracterização de injúrias e mensuração dos danos econômicos da presença da praga no Brasil.
Para ele, identificar e conhecer a dinâmica populacional das cigarrinhas é indispensável para os planos de manejo integrado de pragas na cultura da videira, uma vez que essa compreensão pode levar a estratégias mais eficazes de controle e prevenção.
Outros achados importantes da pesquisa
Outros achados da pesquisa incluem orientações práticas para o monitoramento e manejo da praga:
- O monitoramento de ninfas (cigarrinhas jovens) deve ser realizado observando a face inferior de folhas expandidas, onde elas tendem a se concentrar.
- Os indivíduos adultos começam a surgir no início do desenvolvimento vegetativo da planta, e o pico de infestação ocorre no período de colheita da uva, o que pode impactar diretamente a produção.
- A pesquisa também identificou que algumas variedades de videira são mais infestadas por ninfas que outras, sugerindo a necessidade de seleção de cultivares mais resistentes.
- As cigarrinhas adultas são geralmente difíceis de monitorar no campo, devido a sua capacidade de salto e voo, mesmo que em curtas distâncias, o que complica os esforços de controle.
Esses resultados fornecem uma base sólida para futuras pesquisas e práticas agrícolas, visando mitigar os danos causados por essa praga em uma das regiões vitivinícolas mais importantes do Brasil.



