Praga quarentenária caruru-gigante é identificada em Santa Catarina, ameaçando lavouras
Um foco da praga quarentenária caruru-gigante, considerada uma das plantas daninhas mais agressivas da agricultura, foi identificado em uma propriedade rural de Campo Erê, no Oeste de Santa Catarina. A informação foi divulgada pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), que informou que medidas de controle e contenção já estão sendo adotadas de forma imediata.
O órgão, vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária, alertou que a praga chama a atenção pela velocidade de crescimento, podendo chegar a até três centímetros por dia, e pela capacidade de infestação. Cada planta produz, em média, de 200 mil a 500 mil sementes, podendo ultrapassar 1 milhão em alguns casos, o que representa um risco significativo para as lavouras locais.
Resposta imediata e histórico da praga
Alexandre Mees, gestor do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal (Dedev) da Cidasc, reiterou que a praga exige resposta imediata. “Trata-se de uma espécie com alto potencial de dispersão, grande capacidade reprodutiva e histórico de resistência a herbicidas. Por isso, a detecção precoce e a rápida adoção de medidas fitossanitárias são fundamentais para evitar sua disseminação”, informou.
No Brasil, o caruru-gigante foi identificado inicialmente no ano de 2015 no Mato Grosso. Depois, ocorrências foram registradas no Mato Grosso do Sul em 2022, em São Paulo em fevereiro de 2026 e agora em Santa Catarina em março de 2026, demonstrando uma expansão preocupante da praga pelo país.
Características e medidas de controle
Em campo, o caruru-gigante pode ser confundido com outras espécies. Entre as principais características, estão:
- Folhas ovais, com pecíolo maior que a folha
- Possibilidade de mancha branca em formato de “V” invertido
- Inflorescências femininas com estruturas rígidas semelhantes a espinhos
- Porte mais ereto e inflorescências menos ramificadas
- Plantas são masculinas ou femininas – não há flores dos dois sexos na mesma planta
Após a confirmação, a Cidasc começou a executar as medidas fitossanitárias previstas no Programa Nacional de Prevenção e Controle do Amaranthus palmeri, nome científico da planta. As ações adotadas incluem:
- Interdição da propriedade
- Erradicação das plantas identificadas
- Levantamento de delimitação em propriedades vizinhas
“As equipes estão atuando no entorno da área afetada para delimitar o foco e orientar os produtores. Esse monitoramento é essencial para evitar novos registros”, informou Mees.
Ameaça às lavouras e orientações
Segundo a Cidasc, as sementes do caruru-gigante permanecem viáveis no solo por anos, dificultando o controle após a introdução da praga. Além disso, apresenta resistência a herbicidas comumente utilizados na agricultura, como glifosato e inibidores de Acetolactato Sintase (ALS). No verão, a planta encontra condições favoráveis para se estabelecer rapidamente, competindo por água, luz e nutrientes e causando prejuízos econômicos expressivos.
A principal forma de entrada da praga em novas áreas ocorre por meio do trânsito de máquinas agrícolas contaminadas. Entre as orientações estão:
- Limpeza rigorosa de máquinas e implementos, sem restos vegetais ou solo aderido
- Uso de sementes certificadas, tanto para a lavoura, quanto para a cobertura de solo, também é fundamental
- Evitar insumos sem procedência, pois podem conter sementes da planta daninha
- Monitoramento constante das lavouras
Em caso de suspeita, produtores e técnicos devem comunicar à Cidasc pelo e-mail didev@cidasc.sc.gov.br ou procurar o escritório local da companhia para ações preventivas e de controle.



