Agricultor do Ceará aguarda análise da ANP após encontrar possível petróleo em sua propriedade
Agricultor aguarda análise da ANP por possível petróleo no Ceará

Agricultor do Ceará descobre possível jazida de petróleo ao buscar água em sua propriedade

Em uma reviravolta inesperada, o agricultor Sidrônio Moreira, residente no Sítio Santo Estevão, em Tabuleiro do Norte, no Ceará, encontrou um líquido escuro e viscoso ao perfurar um poço em busca de água para enfrentar a seca da região. A descoberta, que ocorreu em novembro de 2024, levou a suspeitas de que se trate de petróleo, atraindo a atenção de potenciais compradores e das autoridades.

Resistência às ofertas e espera pela ANP

Sidrônio, que vive com a esposa e dois filhos em uma propriedade de aproximadamente 48 hectares herdada do pai, tem recebido diversas propostas para vender as terras desde que o líquido surgiu. No entanto, ele se mantém firme em sua decisão de não comercializar o terreno. "Muita gente ofereceu para comprar o terreno. Quando eles falam em comprar, eu corto a ligação, porque não quero vender mesmo", afirmou o agricultor, destacando sua esperança por uma resolução rápida do caso.

A visita da Agência Nacional de Petróleo (ANP) ocorreu apenas nesta quinta-feira (12), sete meses após a notificação inicial feita pela família e pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE) em julho de 2025. Agora, a família aguarda ansiosamente o laudo da agência para confirmar se a substância é, de fato, petróleo.

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Dificuldades hídricas e impacto na vida familiar

Enquanto aguarda a análise, Sidrônio e sua família enfrentam sérias dificuldades com o abastecimento de água. Eles dependem de uma adutora, carros-pipa e gastam cerca de R$ 100 mensais com água mineral, recursos que se mostram insuficientes. A escassez forçou o agricultor a vender animais e reduzir as plantações, mas ele não considera deixar a propriedade onde reside há duas décadas.

Localizada na Baixa do Juazeiro, a cerca de 35 quilômetros da sede municipal e 210 quilômetros de Fortaleza, a área está próxima à Bacia Potiguar, região conhecida pela exploração de petróleo. Embora Tabuleiro do Norte não esteja inserido em nenhum bloco de exploração, o local da descoberta fica a apenas 11 quilômetros do bloco mais próximo.

Análises preliminares e procedimentos legais

Testes realizados pelo IFCE e pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) indicam que o líquido é um hidrocarboneto com características semelhantes ao petróleo da região, mas a confirmação definitiva depende de um laboratório credenciado pela ANP. Caso seja confirmado, Sidrônio não poderá extrair ou vender o combustível, pois, conforme a legislação brasileira, riquezas do subsolo pertencem à União.

A ANP iniciou um procedimento administrativo para investigar o caso, sem data prevista para conclusão. Se confirmada a presença de petróleo, a agência poderá dividir a área em blocos para leilão, mas a exploração comercial dependerá de fatores como viabilidade econômica e interesse de investidores.

Esta situação ilustra as complexidades envolvendo descobertas acidentais de recursos naturais no Brasil, destacando tanto as esperanças quanto os desafios enfrentados por comunidades rurais em meio a crises hídricas e burocracias governamentais.

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