Agricultor descobre possível petróleo ao cavar poço para água no interior do Ceará
Em uma busca desesperada por água, o agricultor Sidrônio Moreira, residente no Sítio Santo Estevão, em Tabuleiro do Norte (CE), pode ter feito uma descoberta inesperada: um possível poço de petróleo. A perfuração, realizada em 2024 com um empréstimo e economias próprias, tinha como objetivo encontrar água para abastecer a propriedade, que sofre com a falta crônica do recurso. No entanto, ao invés de água, um líquido escuro e viscoso emergiu do solo, levando a família a suspeitar de petróleo.
Família enfrenta escassez hídrica enquanto aguarda análise oficial
A família de Sidrônio Moreira depende de carros-pipa para complementar o abastecimento de água, já que a adutora municipal fornece água de forma intermitente e insuficiente. "A adutora, às vezes, demora muito a chegar água e acaba que não dá para passar o mês", explicou Saullo Moreira, filho do agricultor. A descoberta do líquido, que testes preliminares indicam ter características físico-químicas semelhantes ao petróleo da região, trouxe esperança, mas também incertezas, pois a confirmação oficial cabe à Agência Nacional do Petróleo (ANP), que ainda investiga o caso.
Região próxima à Bacia Potiguar e desafios ambientais
Tabuleiro do Norte está localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, na divisa com o Rio Grande do Norte, próximo à Bacia Potiguar, área conhecida pela exploração de petróleo. Embora o município não esteja inserido em blocos de exploração, o local da descoberta fica a apenas 11 quilômetros do bloco mais próximo. A família foi alertada sobre riscos ambientais, como a possível contaminação do lençol freático caso perfurações incorretas sejam realizadas, complicando ainda mais a busca por água.
Análises e procedimentos da ANP em andamento
Após a descoberta, a família procurou o Instituto Federal do Ceará (IFCE), que encaminhou amostras do líquido para análise na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN). Os resultados apontaram para a presença de hidrocarbonetos, mas a confirmação definitiva de petróleo depende de um laboratório credenciado pela ANP. A agência confirmou que recebeu a notificação e está investigando, podendo envolver órgãos ambientais para medidas cabíveis.
Enquanto isso, Sidrônio Moreira aguarda ansioso, mas sua prioridade continua sendo a água. "Eu tinha vontade que eles viessem aqui ver isso aí e continuassem, para ver se dava alguma coisa. Qualquer coisa que desse aí servia para a gente, porque é uma calamidade muito grande de água aqui", disse o agricultor. A família espera que, se confirmado o petróleo, possa obter renda extra para resolver o problema hídrico, mas o processo é lento e incerto.
