Agricultor do Ceará encontra possível petróleo ao perfurar poço artesiano em busca de água
Agricultor acha possível petróleo ao perfurar poço artesiano no CE

Agricultor do Ceará descobre possível petróleo ao perfurar poço artesiano em busca de água

Em uma reviravolta inesperada, Sidrônio Moreira, agricultor de 63 anos residente no Sítio Santo Estevão, em Tabuleiro do Norte, no Ceará, encontrou uma possível jazida de petróleo enquanto tentava resolver um problema de escassez hídrica. A descoberta ocorreu durante a perfuração de um poço artesiano, financiado com um empréstimo de R$ 15 mil, que tinha como objetivo principal obter água para abastecer a casa e os animais da propriedade.

Frustração e descoberta inesperada

A família de Seu Sidrônio enfrenta há anos dificuldades com a falta de água na região, localizada a cerca de 35 quilômetros da sede do município e a aproximadamente 210 quilômetros de Fortaleza. A decisão de cavar o poço foi tomada em 2024, em parceria com seu filho Sidnei Moreira, para aliviar a rotina difícil imposta pela seca. No entanto, a expectativa de encontrar água deu lugar à surpresa quando, em vez do líquido cristalino, começou a jorrar um fluido preto com forte odor de combustível.

"Não me arrependo de nada. Eu me arrependeria se eu tivesse pegado dinheiro e 'jogado do mato', mas eu estava atrás de encontrar uma novidade para nossa propriedade", declarou Sidrônio ao g1, demonstrando uma postura positiva diante do inesperado. Apesar da descoberta potencialmente valiosa, o objetivo principal da família continua sendo o mesmo: encontrar uma fonte de água própria para consumo e cuidados com os animais.

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Espera por análises e impactos na rotina

Desde a descoberta, a família aguarda uma análise definitiva da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que visitou o sítio pela primeira vez em 12 de março deste ano. Enquanto isso, Sidrônio, sua esposa Maria Luciene e os dois filhos que vivem com eles enfrentam restrições impostas pelas autoridades. A orientação é isolar a área do achado e evitar qualquer contato com o líquido escuro, o que impede a perfuração de novos poços artesianos e a realização de cultivos na propriedade.

"Estou vendo se dá certo resolver logo, porque ao menos eles vão dizer onde pode trabalhar na terra, onde pode ser furado. Até agora estamos de mãos atadas", lamentou Sidnei, filho de Sidrônio, expressando preocupação com a contaminação do lençol freático e as futuras dificuldades quando o verão chegar.

Contexto regional e análises em andamento

Tabuleiro do Norte está localizado na divisa com o Rio Grande do Norte, próximo à Bacia Potiguar, uma área conhecida pela exploração de petróleo. Em 2025, testes laboratoriais realizados pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE) indicaram que o líquido encontrado pelo agricultor possui características físico-químicas semelhantes às do petróleo extraído nessa região vizinha. A Universidade Federal do Ceará (UFC) também recebeu uma amostra para análise, com resultados que podem ser divulgados nos próximos dias.

A ANP ainda não forneceu uma previsão para a conclusão de suas investigações, mantendo a família em suspense sobre a natureza exata do achado. Um vídeo gravado em novembro de 2024 mostra o momento exato em que o líquido escuro emergiu do buraco, inicialmente celebrado como água pela família.

Melhorias no abastecimento de água

Paralelamente à espera pelas análises do possível petróleo, a família voltou a receber água através de uma adutora antiga da região e de carros-pipa enviados pela prefeitura local. Embora a quantidade não seja suficiente, toda ajuda é celebrada. "Eles me deram ajuda. Tá vindo água, encheu as vasilhas, fiquei muito satisfeito", relatou Sidrônio, destacando que a água é usada para banho, cozinha e para os animais.

Uma nova adutora está em construção na cidade e deve ser inaugurada ainda este mês, beneficiando aproximadamente 700 famílias, incluindo a de Seu Sidrônio. Essas tubulações transportam água de reservatórios para comunidades, sendo crucial em regiões historicamente afetadas pela seca, como o sertão cearense.

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"A água vem de oito em oito dias. Vem meio fraca, não sobe para a caixa grande, mas encho a pequena de plástico. É para o serviço de dentro de casa. A gente tendo água, tem tudo. Água é vida", afirmou o agricultor, reforçando a importância vital desse recurso para sua família e plantações.

Enquanto aguardam a confirmação ou descarte do achado de petróleo, Sidrônio e sua família mantêm a esperança de que a situação possa, de alguma forma, render benefícios para ajudá-los a finalmente furar um poço que forneça água de qualidade. A história desse agricultor cearense ilustra as complexidades e surpresas que podem surgir na busca por soluções para problemas crônicos como a escassez hídrica no Nordeste brasileiro.