Agricultor do Ceará encontra possível petróleo ao perfurar poço em busca de água
Agricultor acha possível petróleo ao buscar água no Ceará (16.03.2026)

Agricultor do Ceará encontra possível petróleo ao perfurar poço em busca de água

Em uma reviravolta inesperada, o agricultor Sidrônio Moreira, residente no Sítio Santo Estevão, em Tabuleiro do Norte, no Ceará, descobriu uma possível jazida de petróleo enquanto tentava solucionar um problema crônico de falta d'água em sua propriedade. A família, que inclui sua esposa e dois filhos, enfrenta há anos dificuldades para acessar água encanada, dependendo de adutoras e carros-pipa para tarefas básicas como lavar louça e cuidar dos animais.

Busca por água resulta em descoberta surpreendente

Com o objetivo de amenizar a escassez hídrica, Sidrônio e seu filho Sidnei Moreira decidiram perfurar dois poços artesianos em 2024. No entanto, em vez de encontrar o líquido tão esperado, depararam-se com um material preto, denso, viscoso e com forte odor de combustível. "No primeiro momento que a gente viu que não era água, eu fiz um mecanismo para conseguir tirar uma amostra e ver o que de fato era. Acabamos encontrando esse óleo", relatou Sidnei ao g1.

A descoberta ocorreu em novembro de 2024, quando a família registrou em vídeo o momento em que o líquido escuro emergiu do solo. Inicialmente, pensaram se tratar de água, mas semanas depois, análises preliminares sugeriram que poderia ser petróleo. A família então entrou em contato com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), que coletou amostras para estudo.

Família mantém esperança por água enquanto aguarda definição

Apesar da possível descoberta de um recurso valioso, a prioridade da família continua sendo encontrar água. Sidnei, que abandonou a faculdade em Mossoró, no Rio Grande do Norte, há dois anos para ajudar o pai nas tarefas do sítio, enfatiza: "Nunca foi nossa intenção achar petróleo, sempre foi achar água". Atualmente, eles cuidam de cerca de 20 animais e plantações de feijão e milho, dependendo de carros-pipa da prefeitura e de uma adutora intermitente para o abastecimento.

Para consumo próprio, a família gasta aproximadamente R$ 100 por mês com água mineral comprada na cidade. Nos períodos de seca, as atividades ficam severamente limitadas, com a água sendo priorizada para os animais. "Agora está tudo verde, mas no período em que não tem chuva, é tudo seco, só tem água para os animais, e a gente prioriza eles", explicou Sidnei.

ANP investiga caso enquanto incertezas persistem

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) foi notificada sobre a descoberta em julho de 2025, mas só se manifestou oficialmente em fevereiro deste ano, informando que abriria um procedimento administrativo para investigar o caso, sem data definida para conclusão. Enquanto isso, a família não pode cavar novos poços devido ao risco de contaminação do lençol freático pelo óleo.

As análises realizadas pelo IFCE e pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) indicam que o líquido é um hidrocarboneto com características semelhantes ao petróleo da região. Tabuleiro do Norte está localizado a cerca de 11 quilômetros do bloco de exploração mais próximo, na Bacia Potiguar, o que aumenta a possibilidade de confirmação da jazida.

Implicações legais e financeiras da descoberta

Se confirmado como petróleo, Sidrônio não será o proprietário do recurso, pois a Constituição Federal estabelece que o subsolo e suas riquezas pertencem à União. No entanto, ele poderá receber uma compensação financeira caso a área seja explorada comercialmente, com um percentual que pode chegar a 1% do lucro, dependendo de diversos fatores avaliados pela ANP.

O agricultor contraiu um empréstimo de R$ 15 mil e usou economias para perfurar o primeiro poço, enfrentando agora a frustração de não ter encontrado água. Seu filho Saullo Moreira expressa um desejo modesto: "O que a gente queria era água, né? Se fosse petróleo, a gente resolvesse o mais rápido possível pra ele ter essa forma de renda extra e aí sim, conseguir levar a água".

A descoberta por acaso destaca as dificuldades enfrentadas por comunidades rurais no acesso a recursos básicos, enquanto coloca em evidência os complexos processos de exploração de recursos naturais no Brasil. A família aguarda ansiosamente pela definição da ANP, mantendo os pés no chão e focada em sua vida no campo.