Agricultor do Ceará encontra possível petróleo ao buscar água e fica com dívida de R$ 15 mil
Agricultor acha possível petróleo ao buscar água e fica com dívida

Busca por água no Ceará resulta em possível descoberta de petróleo e dívida para agricultor

O agricultor Sidrônio Moreira, residente no Sítio Santo Estevão, em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, enfrenta uma situação inusitada e financeiramente complicada. Ao tentar resolver um problema crônico de falta de água em sua propriedade, ele acabou encontrando uma substância que pode ser petróleo, mas também contraiu uma dívida de R$ 15 mil.

Empréstimo para poços artesianos gera descoberta inesperada

Sidrônio decidiu fazer um empréstimo para perfurar dois poços artesianos, com o objetivo de garantir abastecimento de água para sua família e animais. A família, que inclui sua esposa Maria Luciene e dois filhos, não tem acesso a água encanada e depende de adutora e carros-pipa.

"Meu pensamento era pegar o dinheiro, fazer esse poço, ficar sossegado. Mas, não deu", lamentou o agricultor ao relatar sua frustração.

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Líquido preto com cheiro de combustível surpreende família

Durante as perfurações, em vez de encontrar água, Sidrônio deparou-se com um líquido denso, preto e com odor característico de combustível. A descoberta ocorreu em novembro de 2024, mas só recentemente a Agência Nacional do Petróleo (ANP) começou a analisar o caso.

A família agora aguarda um laudo definitivo da ANP para confirmar se realmente se trata de petróleo. Enquanto isso, Sidrônio foi orientado a isolar as áreas das perfurações e evitar qualquer contato com a substância.

Dívida e falta de água persistem enquanto aguardam definição

A situação financeira da família ficou comprometida com o empréstimo de R$ 15 mil. Sidrônio não pode mais perfurar novos poços enquanto o caso não for resolvido, mantendo o problema de abastecimento de água sem solução.

O vice-prefeito de Tabuleiro do Norte, Antério Fernandes, informou que uma nova adutora está sendo construída na zona rural e deve atender mais de 700 famílias, incluindo a de Sidrônio, com previsão de conclusão para o final de março.

Possíveis implicações legais e financeiras da descoberta

Se confirmado como petróleo, o agricultor não será dono do recurso, pois a Constituição Federal estabelece que riquezas do subsolo são propriedade da União. No entanto, Sidrônio poderá ter direito a uma compensação financeira caso a área passe por exploração comercial.

Conforme explicam técnicos da ANP, o proprietário da terra tem direito a receber até 1% do lucro, dependendo de diversos fatores. Mas primeiro é necessário analisar se vale a pena explorar a área, já que outros achados semelhantes na região foram descartados por serem acúmulos pequenos.

Família mantém cautela e espera por normalidade

O filho de Sidrônio, Sidnei Moreira, expressou a postura realista da família: "A gente trabalha bastante com os pés no chão. A gente não sabe ainda o que é, se vai ser possível explorar esse material. E a gente vai continuar com a nossa vida normal no campo mesmo, porque nunca foi nossa intenção achar petróleo, sempre foi achar água".

A região de Tabuleiro do Norte está localizada na Bacia Potiguar, área conhecida por exploração de petróleo entre Ceará e Rio Grande do Norte. A família e o Instituto Federal do Ceará (IFCE) entraram em contato com a ANP ainda em julho de 2025, mas só em fevereiro deste ano o órgão se manifestou oficialmente.

Enquanto aguardam a definição do caso, a família de Sidrônio continua sua rotina no campo, lidando com a dívida do empréstimo e a esperança de finalmente resolver o problema de abastecimento de água que motivou toda essa jornada inesperada.

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