Mais de 1,4 mil animais silvestres foram apreendidos pela Polícia Militar Ambiental na região de Presidente Prudente, interior de São Paulo, desde 2023 até a primeira quinzena de maio de 2025. O balanço inclui aves, mamíferos e répteis encontrados em situações de captura ou manutenção irregular.
Os dados foram divulgados pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), que também informou ter registrado mais de 160 atendimentos relacionados a conflitos entre pessoas e animais silvestres em cidades paulistas desde 2024.
Entre os atendimentos, há registro de ocorrências envolvendo capivaras em áreas urbanas, maritacas causando danos em lavouras e redes elétricas, além de quatis, gambás e primatas atraídos pelo descarte irregular de lixo ou alimentos.
Encontro de Coexistência Humano-Fauna
Diante do aumento de ocorrências, a Semil promove, na próxima terça-feira (26), o 1º Encontro de Coexistência Humano-Fauna, em Anhumas (SP), na região de Presidente Prudente. O evento será voltado a representantes municipais, técnicos e servidores públicos que atuam diretamente em situações envolvendo fauna silvestre, sustentabilidade e saúde ambiental.
A iniciativa integra as ações do grupo de trabalho criado pela pasta para estruturar protocolos, conteúdos técnicos e capacitações regionais sobre coexistência humano-fauna no Estado. O foco é apoiar os municípios diante do aumento de situações envolvendo animais silvestres em áreas urbanas, rurais e periurbanas, promovendo medidas preventivas, manejo adequado e redução de conflitos.
“O objetivo é fortalecer o olhar dos municípios para a fauna silvestre dentro da gestão ambiental e urbana. Muitas vezes, as equipes locais recebem demandas da população sem protocolos definidos ou orientação técnica específica. Queremos apoiar os municípios para que consigam atuar de forma preventiva, segura e sustentável”, afirmou a chefe do Departamento de Fauna Silvestre In Situ e Ex Situ da Semil, Milena Bressan.
Segundo Milena, a maior parte dos conflitos está relacionada tanto à forma como as cidades se expandem quanto ao comportamento humano. “Coexistência também significa orientar a população sobre práticas que evitam atrair animais silvestres e reduzem riscos tanto para as pessoas quanto para a fauna”, destacou.
Temas do Encontro
Entre os temas abordados no encontro estarão coexistência com fauna silvestre, prevenção de conflitos, manejo, saúde única e estratégias de atuação municipal. O evento contará ainda com a participação da pesquisadora da USP Katia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz, autora do guia “Coexistência com a fauna”, referência na abordagem sobre interação entre pessoas e animais silvestres em áreas urbanas e compartilhadas.
Para a diretora de Biodiversidade e Biotecnologia da Semil, Patrícia Locosque Ramos, o tema exige atuação integrada de diferentes áreas da gestão pública. “A coexistência humano-fauna é um desafio crescente nas cidades paulistas e envolve conservação ambiental, saúde pública e planejamento urbano. Nosso trabalho busca justamente ampliar a capacidade técnica dos municípios para lidar com essas situações de forma qualificada e baseada em conhecimento científico”, afirmou.
Capacitação Online
Além do encontro presencial, a Semil também vem ampliando a formação técnica por meio da plataforma Semil EaD/DBB, criada para oferecer cursos gratuitos sobre coexistência humano-fauna e manejo de fauna silvestre. Desde a implantação do programa, mais de mil participantes se inscreveram nas capacitações, com representantes de 419 municípios paulistas.
Impactos na Segurança Viária
A convivência entre pessoas e fauna silvestre também impacta a segurança viária. Dados do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER-SP) apontam 1.039 registros de atropelamentos de animais silvestres na região de Presidente Prudente entre 2023 e 2026. Atualmente, há 121 estruturas de passagem de fauna implantadas ao longo da malha rodoviária administrada pelo DER-SP.
Em 2025, a Semil emitiu 19 autorizações para controle populacional de capivaras, espécie frequentemente associada a demandas municipais relacionadas à febre maculosa e manejo em áreas urbanas e de circulação pública.



