De acordo com o Censo Demográfico do IBGE divulgado em 1950, cerca de 76% da população catarinense residia em áreas rurais. Esse percentual caiu drasticamente ao longo das décadas, atingindo apenas 16% em 2010. A migração para as cidades, especialmente entre as gerações mais jovens, é apontada como a principal causa desse fenômeno. No entanto, a dificuldade de permanência no campo pode representar um risco significativo, sobretudo para as propriedades familiares.
Contexto histórico do êxodo rural
O debate sobre o êxodo rural no Brasil ganhou força entre as décadas de 1970 e 1980. Naquele período, a modernização da produção agrícola, a concentração fundiária e a busca por melhores condições de vida levaram mais da metade da população a se mudar para os centros urbanos. Atualmente, o cenário é distinto: muitos jovens deixam o interior para estudar em grandes centros, constroem carreiras e acabam abandonando a vida no campo.
Dados atuais em Santa Catarina
Santa Catarina conta hoje com 375 mil propriedades rurais registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), a grande maioria gerida por agricultores familiares. O Censo Agropecuário de 2017, divulgado pelo IBGE, já destacava o envelhecimento da população rural como um dos principais fatores de risco para a continuidade desses espaços produtivos.
Atuação da Epagri
A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) avalia que esses dados reforçam a necessidade de políticas que promovam a permanência dos jovens no campo, oferecendo oportunidades reais de desenvolvimento econômico, social e profissional. Desde 2012, a Epagri oferece capacitações específicas para esse público, com o objetivo de profissionalizar a atividade agrícola e manter os jovens no campo e no mar com boa renda e qualidade de vida.
Programa Jovem Aprendiz Rural
O Governo de Santa Catarina também atua por meio do Programa Jovem Aprendiz Rural, em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE-SC) e a Cooperativa Aurora. A iniciativa oferece mil vagas para alunos dos Cedups Agrotécnicos, com carga horária de 20 horas semanais e remuneração de R$ 810,50 mensais. Em 2025, mais de 520 estudantes já estavam contratados, com meta de 990 contratações até o fim do primeiro semestre.
CEDUPs Agrotécnicos
Os CEDUPs Agrotécnicos são instituições públicas de ensino distribuídas por todo o estado, que formam jovens por meio da união entre a educação básica e o curso Técnico em Agropecuária. Os estudantes têm acesso a infraestrutura pedagógica, laboratórios, unidades produtivas e áreas experimentais para aprendizado prático. A gestão é compartilhada entre a Epagri e a Secretaria de Educação. Atualmente, mais de 1.500 jovens estudam nessas instituições, sendo cerca de metade filhos de agricultores familiares. Para 2026, o Governo do Estado deve investir mais de R$ 20,5 milhões em treinamentos nas cinco unidades.
Atuação do Senar-SC
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SC) também promove capacitações sobre sucessão rural, com cursos de planejamento sucessório em todo o estado. Em 2025, foram realizados mais de 1.400 eventos de capacitação, com 38 mil participantes. A procura por esses cursos cresceu nos últimos dois anos, impulsionada pelo envelhecimento dos produtores e pela percepção de que a descontinuidade das atividades custa caro.
Acesso à moradia e crédito
Em março de 2026, o Governo de Santa Catarina lançou uma linha de crédito habitacional para produtores de 18 a 29 anos, com financiamentos do Pronaf de até R$ 100 mil por família e subsídio de juros pelo Estado via Pronampe Agro SC. No ano passado, programas de habitação e capacitação atenderam mais de 600 mulheres e jovens no estado, com investimento de R$ 10,4 milhões. Para 2026, o Governo Estadual projeta investir R$ 12,5 milhões. Com condições de moradia adequadas, a permanência no campo se torna mais viável.
Política Nacional de Juventude e Sucessão Rural
Em âmbito federal, o Senado aprovou em 2025 a Política Nacional de Juventude e Sucessão Rural (PL 2.674/2025), que articula acesso à terra, crédito, ensino técnico e formação de cooperativas de jovens agricultores. A lei reconhece a sucessão como uma política pública essencial para a continuidade da produção de alimentos.



