Netanyahu afirma que Israel controla 60% de Gaza, violando cessar-fogo
Netanyahu: Israel controla 60% de Gaza, violando trégua

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o país controla atualmente 60% da Faixa de Gaza, percentual que ultrapassa o limite estabelecido no acordo de cessar-fogo firmado com o Hamas em 2023. A afirmação foi feita durante um evento oficial em Jerusalém Ocidental, conforme reportou o jornal israelense Haaretz nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026.

Declaração contradiz tratado

Netanyahu teria dito: “Hoje controlamos 60% da Faixa de Gaza”, durante uma cerimônia que marcava o aniversário da ocupação israelense em Jerusalém Oriental. O acordo de cessar-fogo, mediado pelos Estados Unidos e firmado após dois anos de guerra, previa uma retirada gradual das forças israelenses de Gaza. Inicialmente, Tel Aviv manteria o controle de 53% do território, reduzindo progressivamente sua presença em troca da chegada de uma força internacional de segurança. As fronteiras temporárias foram demarcadas pela chamada “linha amarela”.

Avanço além da linha amarela

Em vez de diminuir a área ocupada, Israel expandiu sua presença lentamente para além da linha amarela. Segundo o Haaretz, as Forças de Defesa de Israel (IDF) têm avançado progressivamente para o oeste, reduzindo ainda mais o espaço disponível para os palestinos em Gaza. Moradores relataram ter visto tratores militares movendo blocos de concreto pintados de amarelo para além da fronteira original, aparentemente estabelecendo uma nova delimitação.

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Consequências para os palestinos

O palestino Faiq al-Sakani, de 37 anos, disse ao jornal britânico The Guardian: “Durante os avanços, pessoas deslocadas que estavam próximas à nova fronteira viraram alvos”. Bassem Naim, alto funcionário do gabinete político do Hamas, estimou que a ampliação do controle israelense foi de 8% a 9%. Desde o início do cessar-fogo, 850 palestinos foram mortos em Gaza, pelo menos 269 deles nas proximidades da linha amarela.

Resposta das IDF

As IDF afirmaram que estão “trabalhando para marcar visualmente a linha amarela, de acordo com as condições do terreno e a avaliação operacional continuamente atualizada”. Em comunicado, o Exército israelense disse que informa a população local sobre a localização da linha e trabalha para marcá-la no terreno “a fim de reduzir atritos e evitar mal-entendidos”. No entanto, apesar do acordo ainda estar em vigor, Tel Aviv promove ataques quase diários, e há pouca expectativa de que o plano de paz original avance no curto prazo.

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