Conflito no Oriente Médio afeta exportações de café e pimenta-do-reino do Espírito Santo
Guerra no Oriente Médio prejudica exportações do ES

Conflito no Oriente Médio gera incertezas para exportações do Espírito Santo

O cessar-fogo anunciado entre Estados Unidos, Israel e Irã nesta terça-feira (7) durou pouco, e o cenário de guerra continua causando mortes e gerando incertezas econômicas que afetam também o Espírito Santo. Produtores de pimenta e café têm enfrentado dificuldades para exportar e fechar novos negócios com países daquela região, um mercado estratégico para o agronegócio capixaba.

Impacto nas exportações capixabas

Em 2025, o Espírito Santo exportou US$ 186,2 milhões para o Oriente Médio, com destaque para o café, que representou US$ 119,6 milhões, e a pimenta-do-reino, com US$ 56,1 milhões. Em 2026, até fevereiro, as vendas somaram US$ 29,2 milhões, uma alta de 34,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, as possíveis perdas devido ao conflito ainda não foram contabilizadas, e especialistas avaliam que o cenário segue instável, podendo mudar rapidamente.

O analista de mercado Marcus Magalhães destacou que o cessar-fogo trouxe um alívio momentâneo, mas não garantiu estabilidade. "A dinâmica da guerra é muito rápida. O que aconteceu agora não assegura que o cenário vai se manter, mas traz, num primeiro momento, a sensação de que algo positivo pode acontecer", afirmou. Horas após o início da trégua, o Irã acusou os Estados Unidos de novos ataques, levando ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global.

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Desafios logísticos e econômicos

O abre e fecha do Estreito de Ormuz elevam o preço do petróleo, encarecendo o transporte e pressionando insumos como fertilizantes, o que afeta diretamente a competitividade dos produtos exportados pelo Espírito Santo. Magalhães explicou que, durante a breve trégua, o preço do petróleo caiu de US$ 120 para US$ 93 o barril, e o dólar atingiu R$ 5,06, uma cotação não vista há pelo menos dois anos no Brasil. "Isso ajuda a aliviar as expectativas negativas na economia global", disse.

No entanto, o tempo de viagem entre portos capixabas e o Oriente Médio pode chegar a 30 dias, o que significa que cargas já embarcadas ainda enfrentam reflexos do período de instabilidade. O especialista usou a analogia de um "cristal trincado" para descrever a sensação de incerteza que deve permanecer. "Podemos ter, mais pra frente, um petróleo mais baixo do que os US$ 120, porém mais alto do que o praticado antes da guerra, tudo pelo cristal trincado que ficou para as questões energéticas", explicou.

Dificuldades específicas para a pimenta-do-reino

A situação é mais delicada no mercado de pimenta-do-reino. O Espírito Santo é o maior produtor do país, com mais de 12 mil propriedades, principalmente no norte do estado. A safra de 2026 já foi colhida e está pronta para exportação, mas parte da produção enfrenta dificuldade para encontrar destino, já que o Oriente Médio costuma aceitar produtos de menor qualidade.

Exportadores como José Tarcísio Malacarne Júnior e Frank Moro relataram que estão buscando novos mercados fora da área afetada, como Europa, África e Ásia. "Estamos dando preferência a outros continentes para continuar vendendo nossas especiarias", afirmou Malacarne. Em 2025, cerca de 15% da pimenta-do-reino exportada pelo Espírito Santo teve como destino o Oriente Médio, segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura.

Além da queda na demanda, exportadores também enfrentaram aumento no custo do frete marítimo e do seguro das cargas, já que embarcações passaram a buscar rotas alternativas para evitar áreas de risco. "Se o cliente precisar muito da mercadoria, ele paga mais caro pelo transporte. Caso contrário, precisamos redirecionar ou até trazer o produto de volta", disse Malacarne.

Negociações e monitoramento

Durante a trégua, delegações dos Estados Unidos e do Irã vão se reunir no Paquistão na sexta-feira (10) para negociar um fim definitivo da guerra, com mediação do primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif. O Governo do Espírito Santo afirmou que segue monitorando os desdobramentos do conflito e seus reflexos sobre o comércio exterior, acompanhando dados para avaliar impactos e orientar a atuação diante de um cenário internacional mais volátil.

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Mesmo com a trégua, a avaliação do mercado é de que a instabilidade deixou marcas. Para especialistas, o cenário ainda exige cautela, já que qualquer nova escalada no conflito pode voltar a pressionar custos e afetar o fluxo de exportações, mantendo os produtores capixabas em alerta.