Exportadores de mel brasileiros comemoram decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas
Exportadores de mel celebram decisão da Suprema Corte dos EUA

Exportadores de mel brasileiros comemoram decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas

As máquinas de produção de mel da Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis) voltaram a funcionar na sexta-feira (20), após dois meses com as portas fechadas. A retomada ocorreu logo após a decisão histórica da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou o chamado tarifaço imposto pelo ex-presidente Donald Trump.

Reação imediata e novas medidas tarifárias

Em resposta à decisão judicial, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% e, no sábado (21), aumentou a alíquota para 15%. Especialistas do comércio internacional apontam que o resultado final é uma sobretaxa de 15% sobre produtos brasileiros, incluindo o mel que havia ficado de fora de decisões anteriores.

Impacto direto no Piauí e expectativas do setor

O grupo sediado no Piauí é formado por 840 famílias que dependem da apicultura. Segundo o diretor Sitônio Dantas, apesar do otimismo em relação às tarifas, os produtores e exportadores aguardam o desenrolar das negociações e, principalmente, o início da safra do mel para retomar as vendas de forma consistente.

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"A nova safra já era para ter iniciado, mas não iniciou ainda por conta do atraso das chuvas. Não conseguimos até agora renovar os contratos devido à dificuldade da questão da tarifa, que onera muito o mel brasileiro", explicou o diretor.

Queda na produção e vantagem competitiva

Sitônio afirmou que a seca extrema afetou em cheio a produção da Casa Apis, que registrou uma queda de 35% na produção. As últimas vendas foram concluídas no fim de 2025, a partir de contratos firmados no início do ano passado.

"Só não foi pior porque somos os maiores produtores de mel orgânico. Há três anos fornecemos 90% do mel orgânico que os EUA compram no mundo. Eles não encontraram outros países produtores com esse valor, por isso se submeteram a comprar com tarifa", destacou o diretor.

"Agora é torcer pela redução das tarifas e distribuição das chuvas", completou Sitônio, que espera que as exportações retornem ainda este mês.

Benefícios para outros produtos brasileiros

Duas decisões anteriores já haviam retirado alguns itens da lista do tarifaço imposto por Trump, mas o mel não havia sido contemplado. Agora, o produto e outros itens brasileiros como:

  • Café solúvel
  • Uva
  • Pescados

podem ser beneficiados pela decisão da Suprema Corte norte-americana.

Perspectivas da associação de exportadores

O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, disse que acredita que a retirada das tarifas pode destravar as negociações de compra enfrentadas pelo setor e que os efeitos da decisão podem começar a serem perceptíveis já em março.

"A queda traz de volta a competitividade ao mel brasileiro e nos coloca novamente numa posição de igualdade perante os concorrentes que temos", declarou Renato.

Cronologia do tarifaço de Trump

  1. Abril de 2025: Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA.
  2. Junho de 2025: O republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%.
  3. Julho de 2025: Novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%.
  4. Novembro de 2025: EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas.
  5. 20 de fevereiro de 2026: Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas.
  6. 21 de fevereiro de 2026: Trump anunciou aumento da taxa global para 15%.

A decisão judicial caiu como uma luva para os exportadores brasileiros, que agora aguardam a normalização das condições climáticas e a consolidação das novas regras comerciais para retomar plenamente suas atividades.

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