Brasil projeta recorde de exportação de soja em 2026, mas receita deve cair
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) divulgou nesta quinta-feira uma projeção otimista para as exportações de soja do Brasil em 2026. Segundo a entidade, o país deverá embarcar um volume recorde de 113,6 milhões de toneladas do grão para o exterior, um aumento de 5,4 milhões de toneladas em comparação com as estimativas para 2025.
Se confirmada, essa marca consolidará ainda mais a posição do Brasil como o maior produtor e exportador mundial de soja. A previsão foi elevada em mais de 2 milhões de toneladas em relação ao levantamento mensal anterior, coincidindo com a fase final da colheita da oleaginosa no país, que também é esperada em patamar histórico.
Produção mantida em alta, mas preços em queda pressionam receita
A Abiove manteve sua estimativa para a produção brasileira de soja na safra 2025/26 em 177,85 milhões de toneladas. Esse volume representa um crescimento de 3,7% frente ao ciclo anterior, impulsionado pela expansão da área plantada e por condições climáticas geralmente favoráveis, que beneficiaram a produtividade.
No entanto, o cenário de abundância não se limita ao Brasil. A oferta global está elevada, com grandes safras registradas em outros países produtores. Essa situação de ampla disponibilidade levou a associação a revisar para baixo suas projeções para os preços da commodity neste ano.
Como consequência direta, as receitas esperadas com as exportações em 2026 também foram reduzidas e devem ficar abaixo dos valores registrados em 2025. A receita total projetada com as vendas externas do complexo soja – que inclui grão, farelo e óleo – foi ajustada para US$ 51,18 bilhões. Esse valor é significativamente inferior aos US$ 58,17 bilhões estimados no mês anterior e também abaixo dos US$ 52,9 bilhões esperados para 2025.
Impacto nos números da soja em grão
A soja, um dos pilares das exportações brasileiras ao lado do petróleo e do minério de ferro, teve sua receita específica reavaliada. A previsão para 2026 agora é de US$ 42 bilhões, uma redução em relação aos US$ 49 bilhões projetados anteriormente.
Essa revisão reflete a nova expectativa para o preço médio de exportação do grão, que caiu de US$ 440 para US$ 370 por tonelada. A Abiove atribuiu o ajuste principalmente ao aumento da oferta mundial e dos estoques de passagem globais, fatores que pressionam as cotações para baixo.
Recorde também no processamento interno
Em contrapartida aos números de exportação, o setor de processamento interno também mostra sinais de força. A Abiove aumentou sua previsão para o esmagamento de soja no Brasil em 2026 para 62,2 milhões de toneladas, outro recorde histórico, ante 61,5 milhões de toneladas na estimativa do mês anterior. Esse volume representa um incremento anual de 3,5 milhões de toneladas.
"O ajuste positivo nas expectativas de processamento evidencia a resiliência do setor frente à safra recorde. A conversão da matéria-prima em produtos de maior valor agregado fortalece os pilares da matriz energética e do suprimento alimentar brasileiro", afirmou Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove.
Projeções para os derivados: farelo e óleo
O aumento no volume processado reflete diretamente nas projeções para os derivados:
- Farelo de soja: A previsão de produção para 2026 foi elevada para 47,9 milhões de toneladas, 500 mil toneladas acima da estimativa de março. Em 2025, a produção foi de 44,85 milhões de toneladas. As exportações de farelo, no entanto, mantiveram-se estáveis na projeção de 24,6 milhões de toneladas.
- Óleo de soja: A associação aumentou levemente a previsão de exportação para 1,55 milhão de toneladas em 2026, contra 1,36 milhão em 2025. A produção nacional de óleo foi reajustada para 12,5 milhões de toneladas, ante 12,35 milhões na estimativa anterior.
Em resumo, o Brasil se consolida na rota de quebras sucessivas de recordes na cadeia da soja, com volumes de produção, exportação e processamento em ascensão. No entanto, o mercado global, marcado por uma oferta abundante, impõe um cenário de preços mais baixos, o que deve resultar em uma receita total menor para o país no próximo ano, destacando os desafios de rentabilidade mesmo em meio a uma produção volumosa.



