Mato Grosso avança com túnel de 170m no Portão do Inferno após revisão ambiental
Túnel de 170m no Portão do Inferno avança em Mato Grosso

Mato Grosso avança com projeto de túnel no Portão do Inferno após revisão ambiental

A Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra-MT) está atualmente analisando a proposta apresentada na licitação para a construção de um túnel de 170 metros na região do Portão do Inferno, localizada na rodovia MT-251, que conecta Cuiabá a Chapada dos Guimarães. A sessão pública da licitação ocorreu na segunda-feira, dia 9, marcando um passo significativo no desenvolvimento desta obra de infraestrutura crucial para o estado.

Detalhes da licitação e proposta técnica

A proposta foi submetida pelo Consórcio TB-ETEL, uma parceria formada pelas empresas Toniolo, Busnello e Etel Estudos Técnicos. As próximas etapas do processo incluem a habilitação das empresas envolvidas e uma análise minuciosa dos valores apresentados, que ainda não foram divulgados publicamente, embora estimativas apontem para um investimento total de aproximadamente R$ 54,8 milhões. A contratação será realizada no modelo integrado, onde a empresa vencedora será responsável por elaborar tanto o projeto básico quanto o executivo, além de executar a obra em si.

O projeto prevê a construção de um túnel com pista de concreto e acostamento, considerado pelo governo estadual como a alternativa mais vantajosa para resolver os problemas persistentes na região do Portão do Inferno. De acordo com o edital, o prazo para execução das obras é de 420 dias, contados a partir da assinatura da ordem de serviço, com um prazo total do contrato estabelecido em 510 dias.

Critérios de análise e preocupações ambientais

Entre os critérios analisados pela secretaria estão a segurança permanente da rodovia e o menor impacto ambiental e paisagístico na área. Esta abordagem reflete uma mudança significativa em relação ao plano original, que enfrentou resistência de entidades ambientais e pesquisadores. Em junho de 2025, o Governo de Mato Grosso revisou o projeto inicial de retaludamento após alertas sobre potenciais impactos ecológicos e incertezas técnicas, culminando no anúncio da construção do túnel como alternativa quatro meses depois.

O novo plano também levou ao encerramento, em fevereiro deste ano, de uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT), que pedia a suspensão das obras de retaludamento. A decisão da Justiça Federal considerou que a ação perdeu seu objetivo devido à revisão do projeto, que originalmente envolvia a escavação e retirada de cerca de 180 mil metros cúbicos de rochas.

Contexto histórico e desafios superados

Os problemas apontados no projeto anterior incluíam:

  • Ausência de motivação para aplicação do licenciamento simplificado
  • Classificação indevida de risco das obras de retaludamento
  • Nulidade da Autorização para Licenciamento Ambiental
  • Falta de consulta prévia ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) sobre impactos potenciais

Em novembro, o governo publicou um edital de licitação para contratar a empresa responsável por elaborar o projeto básico, com prazo até março deste ano para envio de documentos de habilitação e propostas. Esta transição para um túnel representa não apenas uma solução técnica, mas também uma resposta às demandas por maior sustentabilidade e respeito ao meio ambiente na região de Chapada dos Guimarães, conhecida por sua beleza natural e importância ecológica.