Câmara de Sorocaba vota projeto que retém receitas para garantir pagamento do transporte público
Sorocaba vota retenção de receitas para transporte público

Câmara de Sorocaba vota projeto sobre repasse de recursos para o transporte público

Um projeto de lei que está em tramitação na Câmara Municipal de Sorocaba, no interior de São Paulo, prevê a retenção de receitas públicas como forma de garantia nos contratos de concessão do transporte público coletivo do município. O texto do Executivo, assinado pelo prefeito em exercício Fernando Martins, do PSD, está na pauta da sessão extraordinária desta terça-feira, dia 31.

Mecanismo de garantia para pagamentos

O projeto propõe um mecanismo inovador para assegurar o pagamento às empresas concessionárias em caso de inadimplência do poder público. De acordo com o documento, a remuneração das concessionárias virá de duas fontes principais: a venda de passagens e o subsídio municipal, conforme definido nos contratos de concessão. As receitas devem ser suficientes para cobrir integralmente os investimentos, custos e despesas necessários à prestação adequada dos serviços.

O texto descreve essa medida como "garantia pública". Com isso, os pagamentos devidos pela prefeitura poderão ser garantidos mediante a retenção de receitas de três fontes específicas: o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Fundo Municipal de Transportes (FMT).

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Limitações e condições da proposta

O dispositivo também proíbe expressamente que o mecanismo seja utilizado para cobrir débitos anteriores à publicação da lei, limitando sua aplicação a pagamentos com vencimentos futuros. Na justificativa, o prefeito Fernando Martins defende a iniciativa e afirma que a aprovação do projeto representa um avanço significativo na gestão do transporte coletivo.

Martins argumenta que a medida consolida Sorocaba como referência no Estado de São Paulo no aprimoramento da mobilidade urbana, com ênfase nos princípios de segurança jurídica e transparência contratual. A proposta aplica-se exclusivamente a contratos que prevejam a existência de bens reversíveis vinculados à execução do serviço — ou seja, bens que, ao término da concessão, retornam ao patrimônio público.

Essa condição delimita a lei e restringe sua aplicação a contratos com estrutura específica, que incluam esse tipo de garantia patrimonial em favor do município. A votação ocorre em um contexto onde contratos anteriores do transporte coletivo de Sorocaba já foram julgados irregulares, destacando a necessidade de maior rigor e controle nos acordos públicos.

O projeto busca equilibrar as necessidades financeiras das empresas concessionárias com a responsabilidade fiscal do município, assegurando que o serviço essencial de transporte público não seja comprometido por questões de pagamento. A expectativa é que, se aprovado, o mecanismo traga mais estabilidade e previsibilidade para o setor, beneficiando tanto os operadores quanto os usuários do sistema.

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