Prefeito de São Paulo responsabiliza gestão anterior por atraso em obra de drenagem após tragédia
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), atribuiu nesta terça-feira (27) ao ex-prefeito Fernando Haddad (PT) o atraso nas obras do piscinão do Capão Redondo, na Zona Sul da capital. A declaração ocorreu durante visita ao centro de apoio aos ambulantes do carnaval de rua de 2026 e ganhou destaque após a morte de um casal de idosos arrastado por uma enxurrada há duas semanas no local.
Tragédia impulsiona debate sobre infraestrutura
Maria Deusdete da Mata Ribeiro, de 67 anos, e seu marido, Marcos da Mata Ribeiro, de 68, tiveram o carro levado pelas águas na Avenida Carlos Caldeira Filho, no Campo Limpo. Os corpos foram encontrados dias depois pelo Corpo de Bombeiros, reacendendo a discussão sobre a segurança da região durante períodos de chuva intensa.
Segundo Nunes, o contrato para construção do reservatório foi assinado em 23 de dezembro de 2015, durante a gestão de Haddad, mas nenhum avanço significativo ocorreu na época. "É uma tristeza enorme aquele casal ter sido dragado ali, pelo córrego na Caldeira Filho", afirmou o prefeito, destacando que sua administração retomou o projeto.
Obras com histórico de atrasos e nova previsão
As intervenções no Capão Redondo foram reiniciadas em agosto de 2022, com previsão inicial de conclusão em 36 meses. No entanto, o prazo não foi cumprido, e a nova estimativa aponta para entrega até junho deste ano. O investimento total supera R$ 261,4 milhões e inclui:
- Construção do reservatório de contenção de cheias
- Canalização de 3 km do córrego Água dos Brancos
- Benefícios para aproximadamente 870 mil moradores da região
Nunes justificou os atrasos recentes pela necessidade de desapropriações não realizadas anteriormente. "Quando eu fui fazer a sondagem, teve locais que tinham muitos imóveis, lojas. E a gente não pôde fazer a sondagem. Aí eu desapropriei, paguei os proprietários, demoli aquelas construções e comecei a fazer a obra", explicou.
Resposta da oposição e defesa de Haddad
Do outro lado, vereadores do PT saíram em defesa do ex-prefeito. Nabil Bonduki, que foi secretário de Cultura na gestão Haddad, rebateu as críticas nas redes sociais. "O contrato foi assinado em dezembro de 2015 pela gestão Haddad, que ficou no governo até dezembro de 2016. Um ano, portanto. Quem não fez nada em 10 anos foram os prefeitos Doria (1 ano), Bruno Covas (3 anos) e o próprio Ricardo Nunes (5 anos)", escreveu o parlamentar.
Bonduki acrescentou que Nunes deveria assumir responsabilidade coletiva, já que apoiou administrações anteriores e atua como prefeito há cinco anos. A assessoria do ministro Fernando Haddad, por sua vez, optou por não comentar as declarações do atual prefeito.
Medidas emergenciais e críticas de moradores
Após a tragédia, a Prefeitura de São Paulo instalou blocos de concreto e guarda-corpos no trecho entre a avenida e o córrego. A Subprefeitura do Campo Limpo informou que estruturas de proteção já haviam sido colocadas em 2024, mas foram vandalizadas e furtadas.
Moradores da região criticam a demora na implementação de proteções permanentes, argumentando que a falta de delimitação clara do trecho dificulta a identificação dos limites da via durante chuvas fortes. A administração municipal afirma que a Avenida Carlos Caldeira Filho recebe serviços frequentes de zeladoria, intensificados no período chuvoso.
Este caso ilustra os desafios históricos de infraestrutura urbana em São Paulo, onde obras de drenagem enfrentam atrasos crônicos enquanto a população sofre com as consequências das enchentes. O debate político em torno da responsabilidade pelos atrasos promete continuar, especialmente com a proximidade das eleições municipais.