Anatel inicia retirada de 342 orelhões das ruas de Ribeirão Preto, SP
A cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, ainda possui 342 orelhões em suas ruas, um número que a coloca entre os municípios com a maior quantidade de telefones públicos no Brasil, conforme dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Na última semana, foi anunciado que os aparelhos serão retirados de vez das vias públicas a partir deste mês, marcando o fim de uma era na comunicação brasileira.
Contexto nacional e regional
Segundo a Anatel, aproximadamente 38 mil orelhões permanecem ativos em todo o território nacional. Entre os maiores municípios da região de Ribeirão Preto, Sertãozinho e Barretos, ambos no estado de São Paulo, vêm em seguida, com 66 unidades cada. A retirada em massa de carcaças e aparelhos desativados está programada para começar em janeiro, com um cronograma que se estenderá ao longo do ano.
Motivos para a desativação
Os orelhões, que foram quase indispensáveis no passado, tornaram-se praticamente obsoletos com a popularização dos celulares. A decisão de removê-los agora está diretamente ligada ao término das concessões do serviço de telefonia fixa, ocorrido no ano passado. Com o fim dos contratos, empresas como Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefonica deixam de ter a obrigação legal de manter essa infraestrutura.
A extinção dos aparelhos não será imediata em todos os locais. Eles só devem ser mantidos em cidades onde não há rede de celular disponível, e apenas até 2028, conforme determinação regulatória.
Posicionamento das empresas
A Algar destacou que mais da metade dos orelhões registra menos de uma chamada por dia, evidenciando a drástica redução no uso. A companhia afirmou que realizará a desativação com destinação responsável e sustentável do material, mantendo em operação apenas os aparelhos que ainda são a única opção de comunicação em certas regiões.
Já a Vivo/Telefonica informou que o novo modelo de atuação permitirá direcionar investimentos para tecnologias mais relevantes, como a ampliação da cobertura 4G e 5G. No estado de São Paulo, até dezembro de 2025, havia cerca de 28 mil unidades em operação, com uma queda de 93% no uso nos últimos cinco anos.
Histórico e simbolismo do orelhão
Durante décadas, os orelhões foram essenciais para a comunicação dos brasileiros, especialmente entre os anos 1970 e o início dos anos 2000. Eles facilitavam contatos urgentes, serviam como ponto de encontro e, muitas vezes, eram o único meio de falar com alguém fora de casa.
O design icônico do orelhão foi criado em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, inicialmente com nomes como Chu I e Tulipa. Sua forma oval não apenas se tornou um símbolo nacional, reproduzido em países como Peru e Angola, mas também tinha uma justificativa funcional: melhorar a qualidade acústica das ligações.
Recentemente, a cabine telefônica voltou a ganhar evidência entre as gerações mais jovens ao aparecer no cartaz do filme O Agente Secreto, vencedor do Globo de Ouro e indicado pelo Brasil ao Oscar 2026, reforçando seu lugar na cultura popular.