
Imagine um lugar onde as paredes respiram histórias. Onde cada objeto sussurra lendas de tempos distantes. Santarem acaba de ganhar exatamente isso - e a cidade não está nada discreta em sua empolgação.
Na última sexta-feira, 29 de agosto, aconteceu aquela que muitos já estão chamando de 'a inauguração do ano'. O Museu Ribeirinho da Palavra e da Memória abriu suas portas, e que portas! Localizado bem no coração da cidade, no antigo prédio restaurado do Mercado Municipal, o espaço é um verdadeiro mergulho na alma ribeirinha.
E não foi qualquer abertura não. A cerimônia teve cheiro de festa popular, com direito a apresentações culturais que fariam qualquer um arrepiar. Grupos folclóricos, cantores locais e até contadores de causos deram o tom do que será este novo templo da cultura.
Mais Que Um Museu, Uma Declaração de Amor
O prefeito Nélio Aguiar não disfarçava o orgulho. "Isso aqui não é apenas mais um prédio bonito", disse, com a voz meio embargada. "É a materialização de um sonho antigo da nossa gente. Um lugar que vai guardar não objetos, mas a essência do que é ser ribeirinho."
E ele tem razão. O acervo? Uma coleção que vai fazer você sentir o cheiro da floresta e o balanço das águas. Artesanatos indígenas que contam histórias milenares, instrumentos musicais que já animaram incontáveis festas de comunidade, fotografias que congelaram no tempo rostos e tradições.
Para Todos os Sentidos
O legal é que o museu pensou em todo mundo. Tem área expositiva permanente, claro, mas também espaços para exposições temporárias - uma vitrine para artistas da região mostrarem seu talento. E tem mais: auditório para debates e palestras, sala educativa para as crianças se encantarem e até um café com vista para o Tapajós.
Quem passou por lá nos primeiros dias não saiu sem os olhos brilhando. "Finalmente estamos vendo nossa cultura sendo valorizada de verdade", comentou Dona Maria, 72 anos, ribeirinha de nascimento e coração. "Meus netos vão poder conhecer de perto as histórias que eu só contei pra eles."
De Olho no Futuro
O projeto não para por aí. A ideia é que o museu seja um organismo vivo, pulsante. Já estão planejadas oficinas regulares de contação de histórias, workshops de artesanato tradicional e até noites de poesia às margens do rio.
E o melhor? A entrada é gratuita. Sim, você leu certo. Um presente da prefeitura para santarenos e turistas, que agora têm mais um motivo para se apaixonar pela pérola do Tapajós.
Funcionamento é de terça a domingo, das 9h às 17h. Mas meu conselho? Chegue cedo - a fila já está dando volta no quarteirão.