Documentário da Netflix revela relatos chocantes de agressão sexual e conduta tóxica em reality de moda
O documentário "Reality Check: Inside America's Next Top Model", lançado recentemente pela Netflix, está gerando intensa repercussão ao trazer à tona depoimentos impactantes de ex-participantes sobre os bastidores do programa criado por Tyra Banks. Entre as revelações mais graves está o relato da modelo Shandi Sullivan, que participou da segunda temporada do reality aos 21 anos, sobre uma experiência traumática durante uma viagem a Milão, na Itália.
Relato detalhado de agressão sexual e falhas na produção
Shandi Sullivan afirmou, no documentário, ter sido vítima de agressão sexual após perder a consciência devido ao consumo excessivo de álcool. Ela descreveu ter acordado na manhã seguinte desorientada e chorando, ao perceber o que havia ocorrido. "No dia seguinte, acordei e pensei: 'Meu Deus, o que aconteceu ontem à noite?' Fiquei sentada na cama, chorando", contou emocionada.
A modelo criticou duramente a postura da produção do programa, argumentando que deveria ter sido retirada da situação quando já apresentava sinais claros de embriaguez. "Depois que saí da banheira de hidromassagem, e o que quer que tenha acontecido depois, eles deveriam ter dito: 'Ok, isso foi longe demais. Precisamos tirá-la daqui'", declarou, destacando uma suposta negligência por parte da equipe.
Respostas da produção e justificativas controversas
Tyra Banks, criadora do reality, afirmou se lembrar do episódio, mas esclareceu que decisões relacionadas à produção não eram de sua responsabilidade direta, atribuindo a condução ao produtor executivo Ken Mok. "É difícil para mim falar sobre a produção porque isso não estava sob meu controle", disse Banks, distanciando-se das acusações.
Ken Mok, por sua vez, explicou que o programa era tratado como um documentário e que todas as participantes eram informadas de que seriam filmadas 24 horas por dia. "Dissemos às meninas que haveria câmeras o tempo todo. O bom, o ruim, tudo seria documentado", declarou, sugerindo que as regras de filmagem eram claras desde o início.
Jay Manuel, que integrava o corpo de jurados, acrescentou que a equipe percebeu o que estava acontecendo e seguiu Shandi até o banheiro. Segundo ele, a regra previa que câmeras não entrassem quando a participante estivesse sozinha, mas, como ela não estava sozinha no momento em que entrou no chuveiro, as gravações continuaram.
Repercussão emocional e decisão de abandonar o programa
O episódio também explorou a profunda repercussão emocional da situação no relacionamento da modelo. A produção registrou a ligação telefônica em que Shandi contou ao namorado o que havia acontecido. "Eu estava deitada no chão, em posição fetal, chorando. Quando me levantei para ir embora, o técnico de som e o cinegrafista disseram: 'Sentimos muito por ter que filmar isso'. Eles sabiam que não estava certo", relatou, evidenciando o desconforto até mesmo entre membros da equipe.
Após uma conversa gravada com Tyra Banks sobre o ocorrido, Shandi decidiu deixar o programa, marcando o fim de sua trajetória no reality de forma abrupta e dolorosa.
Outras denúncias de comportamento tóxico nos bastidores
O documentário não se limita ao caso de Shandi; ele reúne diversos outros relatos de ex-participantes que apontam comportamentos considerados tóxicos nos bastidores do reality. Entre as acusações estão:
- Gordofobia: Práticas discriminatórias relacionadas ao peso das modelos.
- Pressão psicológica: Ambiente de competição que exacerbava ansiedade e estresse.
- Falta de suporte emocional: Ausência de acompanhamento adequado durante situações críticas.
Esses depoimentos coletivos pintam um quadro preocupante sobre a cultura por trás de um dos reality shows de moda mais famosos do mundo, levantando questões éticas sobre a responsabilidade das produções em proteger os participantes.