Unidos da Tijuca encerra noite na Sapucaí com homenagem emocionante a Carolina de Jesus
Na noite desta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, a escola de samba Unidos da Tijuca realizou seu desfile na Marquês de Sapucaí, encerrando as apresentações do dia com um enredo profundamente significativo. A agremiação trouxe para a avenida a história e a memória da escritora Carolina Maria de Jesus, autora do aclamado livro Quarto de Despejo – O Diário de uma favelada.
Enredo resgata legado literário e luta social
Desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira, o samba-enredo faz uma homenagem vibrante à escritora, cuja obra retrata a realidade crua da vida nas periferias de São Paulo durante a década de 1960. Pereira destacou em entrevista à coluna GENTE a importância de manter viva a memória de Carolina.
"A história da Carolina é uma história que começa e a gente não pode dizer que teve um fim, porque esse fim não existiu", afirmou o carnavalesco. Ele ressaltou ainda que a escritora foi "apagada em muitos momentos da história" e que, até os dias atuais, existe dificuldade em acessar muitas de suas obras, que deveriam estar disponíveis para toda a população.
Mudança no comando dos microfones gera controvérsia
Este ano trouxe uma significativa alteração na formação artística da escola. Marquinhos Art’Samba assumiu como intérprete oficial, substituindo Ito Melodia, que estava à frente dos microfones há dois anos. A transição, contudo, não ocorreu de maneira amigável.
Imediatamente após ser desligado da agremiação, Melodia manifestou-se publicamente nas redes sociais, expressando surpresa e descontentamento com a forma como a mudança foi conduzida. "Entendo o encerramento de ciclos, mas o tardio comunicado me entristece e faz com que eu me sinta desrespeitado como profissional e pai de família", escreveu o intérprete em sua conta no Instagram.
Ele acrescentou que a demora na comunicação o impediu de negociar com outra agremiação para o Carnaval de 2026, afetando suas perspectivas profissionais e financeiras.
Samba-enredo vencedor e novidades na bateria
A composição escolhida para representar a escola foi uma parceria de talentosos sambistas:
- Lico Monteiro
- Samir Trindade
- Leandro Thomaz
- Marcelo Adnet
- Marcelo Lepiane
- Telmo Augusto
- Gigi da Estiva
- Juca
O refrão do samba carrega a força poética característica da obra de Carolina: "Os olhos da fome eram os meus/ Justiça dos homens não é maior que a de Deus/ Meu quarto foi despejo de agonia/ A palavra é arma contra a tirania".
Na bateria, uma novidade marcante: Mileide Mihaile desfilou como rainha pela primeira vez na história da Unidos da Tijuca, acrescentando um toque especial à apresentação.
Legado cultural que transcende o Carnaval
O desfile da Unidos da Tijuca não foi apenas um espetáculo visual e musical, mas um importante ato de resgate histórico e cultural. Ao levar para a avenida a vida e a obra de Carolina Maria de Jesus, a escola reforçou o papel do Carnaval como plataforma de discussão social e valorização de figuras fundamentais da literatura brasileira.
A escolha do enredo demonstra um compromisso com a memória coletiva e com a necessidade de dar visibilidade a vozes que, por muito tempo, foram silenciadas ou marginalizadas. Carolina de Jesus, através de sua escrita poderosa e autêntica, continua a inspirar gerações e a lembrar a todos da importância da justiça social e do acesso à cultura.
