Venezuela demite diretor de presídio após rebelião contra maus-tratos
Venezuela demite diretor de presídio após rebelião

A crise no sistema prisional venezuelano ganhou novos contornos nesta segunda-feira, 26 de maio de 2026, com a demissão do diretor do Instituto Penal de Barinas (Injuba), Elvis Macuare Guerrero, após uma rebelião de detentos contra supostos maus-tratos. Guerrero ocupava o cargo há apenas uma semana, sendo o segundo diretor a ser substituído no último mês na mesma unidade, localizada no estado de Barinas.

Protestos e denúncias de tortura

No último domingo, 24 de maio, os prisioneiros iniciaram um protesto pacífico contra as condições do local, mas a situação escalou rapidamente. Segundo relatos, guardas atiraram contra os detentos, que reagiram subindo no telhado da prisão, queimando tapetes e exibindo faixas com os dizeres “S.O.S.” e “sem mais tortura”. A rebelião foi registrada em vídeos divulgados pela organização de direitos humanos Observatório Prisional da Venezuela (OVP), que mostram detentos feridos e gritos de “eles estão atirando em nós”.

De acordo com o Ministério Público venezuelano, os detentos alegam ser submetidos a espancamentos, roubos de pertences, buscas violentas nas celas, confinamento solitário e banhos de gelo como punição, além da proibição de visitas. Familiares já haviam denunciado a situação em 14 de maio, levando à substituição do então diretor, Robert Cabezas, por Guerrero. No entanto, a troca não acalmou os ânimos.

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Negociações e nova demissão

A Guarda Nacional venezuelana cercou rapidamente o Injuba e iniciou negociações com os prisioneiros, que exigiam a saída do diretor. Atendendo à reivindicação, Guerrero foi demitido. A OVP afirmou que a mudança de Cabezas para Guerrero não alterou a política de maus-tratos na unidade. “Os detentos denunciaram que, desde que Guerrero assumiu, foram submetidos a buscas violentas com destruição de pertences dentro das celas”, declarou a organização.

Crise no sistema prisional

As prisões na Venezuela são alvo de críticas de organizações de direitos humanos há anos, que apontam que os locais não atendem aos “padrões mínimos” exigidos por lei. Em março de 2026, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que seu escritório continua recebendo relatos de tortura contra detentos no país, mesmo após a deposição do ditador Nicolás Maduro. A rebelião em Barinas é mais um capítulo dessa grave crise carcerária.

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