Portela leva à Sapucaí enredo que resgata história religiosa afro-brasileira do Rio Grande do Sul
A escola de samba Portela realizou um desfile marcante no domingo, 15 de fevereiro de 2026, ao apresentar na Marquês de Sapucaí o enredo O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande. Como terceira agremiação a desfilar na noite, a Portela mergulhou em uma narrativa pouco conhecida, homenageando o Príncipe Custódio, uma figura religiosa e curandeiro africano que viveu no início do século XX na Cidade Baixa, em Porto Alegre.
Pesquisa aprofundada revela reinado negro no Sul do Brasil
André Rodrigues, carnavalesco responsável pelo desfile, assumiu a carreira solo neste ano após dividir o comando artístico com Antônio Gonzaga em 2024 e 2025. Em entrevista à coluna GENTE, Rodrigues destacou que a escola precisou realizar uma extensa pesquisa para levar a história da religião de matriz africana à Passarela do Samba. "A gente conheceu um principado, um reinado negro no Rio Grande do Sul. Um lugar onde a gente pouco imagina a contribuição da população nele. É um pouco diferente. Eu acho que esse diferente inspira e desperta curiosidade", explicou o carnavalesco.
Samba-enredo celebra tradição e libertação com múltiplos compositores
O samba-enredo foi criado por uma parceria de sete compositores: Valtinho Botafogo, Raphael Gravino, Gabriel Simões, Braga, Cacau Oliveira, Miguel Cunha e Dona Madalena. A letra da música, interpretada por Zé Paulo Sierra — que substituiu Gilsinho, falecido em setembro de 2025 —, inclui trechos como: "É mistério que incandeia/ Pro batuque incorporar/ É mistério que incandeia/ Pra portela incorporar/ Vai, negrinho… vai fazer libertação/ Resgatar a tradição". A bateria da escola, comandada há nove anos por Bianca Monteiro, retornou para mais um Carnaval, mantendo a tradição rítmica da agremiação de Madureira.
O desfile da Portela não apenas celebrou a cultura afro-brasileira, mas também destacou a diversidade religiosa e histórica do Brasil, especialmente do Rio Grande do Sul, região muitas vezes associada a outras tradições. A apresentação reforçou o papel do Carnaval como plataforma para educação e valorização de narrativas marginalizadas, conectando o público com raízes culturais profundas e frequentemente esquecidas.