Evelyn Bastos, rainha da Mangueira, critica famosas sem conexão com o Carnaval
Evelyn Bastos, 32 anos, encerrou a primeira noite de desfiles do Carnaval 2026 neste domingo, 15, como rainha de bateria da Estação Primeira de Mangueira. Com treze anos no posto, a mangueirense de coração não esconde seu amor pelo samba, que está em sua vida desde 2004, quando segurou a coroa na ala infantil da escola.
Para Evelyn, o cargo de rainha de bateria vai muito além da beleza ou da fama. Ela enfatiza que é necessário ter uma identificação profunda com a história e a trajetória da escola de samba. "Na minha opinião, é preciso ser da comunidade, uma originária da sua gente, seu chão e que vive o dia a dia da escola de samba, que tem uma história 100% ligada com a sua agremiação", declarou à coluna GENTE.
Raízes e tradição familiar
Cria do Morro da Mangueira, Evelyn segue os passos da mãe, Valéria Bastos, que foi rosto da Verde e Rosa entre 1987 e 1989. Antes de se tornar rainha, ela foi musa da agremiação aos 17 anos e, aos 20, substituiu Gracyanne Barbosa. Evelyn destaca que o momento do desfile é de grande responsabilidade, mas também de conexão com o povo e a comunidade.
"É um momento de muita responsabilidade, mas também um momento muito importante pra gente que ama samba, se divertir, se conectar com a nossa gente, o povo, comunidade e integrantes da nossa escola", afirmou.
Crítica a famosas sem vínculo com o Carnaval
Além de sua atuação na Avenida, Evelyn é diretora cultural da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), historiadora e professora de educação. Sempre mostrando suas raízes, ela é crítica em relação a rainhas que entram na Passarela do Samba sem ter uma conexão genuína com o agito do Carnaval.
Recentemente, com a entrada de Virgínia Fonseca na Acadêmicos do Grande Rio, Evelyn foi categórica ao afirmar que não é a favor de famosas de religiões que pregam intolerância estarem no desfile. Ela argumenta que essas figuras podem minar as tradições afro-brasileiras.
"Eu não acho justo que pessoas que saiam da lâmpada do Aladdin sustentem cargos de destaque na terra das herdeiras da ginga de Ciata, principalmente algumas que vêm de religiões que demonizam nossas tradições e tentam minar a nossa existência enquanto cultura popular afro-brasileira", enfatizou.
Enredo da Mangueira em 2026
A Estação Primeira de Mangueira levou para a Sapucaí o enredo "Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra". O samba conta a história afro-indígena do Norte brasileiro a partir da trajetória e vivências de Mestre Sacaca, reforçando a importância da cultura e das raízes na narrativa carnavalesca.
Evelyn Bastos representa um exemplo de dedicação e compromisso com as tradições do samba. Sua crítica reflete um debate mais amplo sobre a autenticidade e a preservação da cultura popular no Carnaval carioca, destacando a necessidade de valorizar aqueles que verdadeiramente vivem e respiram essa festa.