Mangueira Recorre à Cultura Amapaense em Desfile de Carnaval
A Estação Primeira da Mangueira está preparada para desfilar neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, com um enredo que mergulha profundamente na história e na cultura do Amapá. A escola de samba apresenta o tema Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra, uma homenagem a Raimundo dos Santos, figura icônica que faleceu em 1999 aos 73 anos.
Figura Religiosa e Curandeiro
Conhecido popularmente como mestre Sacaca, Raimundo dos Santos é celebrado como uma personalidade religiosa que utilizava seus vastos conhecimentos tradicionais para tratar doenças e promover o cuidado comunitário no estado do Amapá. Sua vida e legado são centrais para o desenvolvimento do enredo da Mangueira, que busca representar os diversos encantos tucujus, termo afetuoso utilizado para descrever o que é nascido ou típico da região.
O carnavalesco Sidnei França explicou à coluna GENTE que a agremiação realizou uma viagem até a cidade de Sacaca para conversar com membros da família do homenageado, além de figuras populares do Carnaval e indivíduos ligados à religiosidade local. Ele foi um homem dedicado à cultura popular e os tambores sempre foram muito presentes na sua vida, destacou França, enfatizando a conexão entre a tradição musical e a espiritualidade.
Mudanças na Equipe e Críticas ao Samba
Este ano, a Mangueira introduz uma mudança significativa em sua equipe vocal. Dowglas Diniz assume o posto de novo intérprete, responsável por levar o samba-enredo da Verde e Rosa à Avenida, substituindo Maquinho Art’Samba, que agora canta pela Unidos da Tijuca. Apesar dessa renovação, o samba-enredo tem sido alvo de críticas por parte de especialistas e fãs, que o consideram fraco em comparação com produções anteriores da escola.
O refrão da música, que diz Çai erê, babalaô, mestre sacaca/ Te invoco do meio do mundo pra dentro da mata/ Salve o curandeiro, doutor da floresta, busca capturar a essência espiritual e curativa de Mestre Sacaca, mas alguns argumentam que a melodia e a letra não alcançam o impacto esperado para um desfile de tal magnitude.
Retorno da Rainha de Bateria
Em meio a essas mudanças e críticas, a escola conta com a presença reconfortante de Evelyn Bastos, que retorna como rainha de bateria. Mangueirense de coração, Evelyn carrega esse posto há impressionantes treze anos, trazendo experiência e paixão ao desfile. Sua participação é vista como um elemento de continuidade e tradição dentro da agremiação, que busca equilibrar inovação e raízes culturais.
O desfile da Mangueira promete ser um espetáculo visual e cultural rico, com alas e carros alegóricos que representam a vida e os ensinamentos de Mestre Sacaca. No entanto, a qualidade do samba-enredo permanece um ponto de discussão, levantando questões sobre como a escola está lidando com a pressão competitiva do Carnaval carioca.
À medida que a Mangueira se prepara para brilhar na Sapucaí, a escolha de focar em uma figura regional como Mestre Sacaca reflete uma tendência crescente no Carnaval de explorar narrativas locais e histórias menos conhecidas. Este enredo não apenas homenageia um guardião da Amazônia Negra, mas também convida o público a refletir sobre a diversidade cultural e espiritual do Brasil.