New York Times destaca Boi Tolo, bloco icônico do carnaval carioca que completa 20 anos
NYT destaca Boi Tolo, bloco icônico do carnaval carioca

New York Times celebra 20 anos do Boi Tolo em reportagem especial sobre o carnaval de rua do Rio

O prestigioso jornal norte-americano New York Times publicou nesta terça-feira, 17 de fevereiro, uma extensa reportagem dedicada ao Boi Tolo, um dos blocos mais icônicos e tradicionais do carnaval de rua do Rio de Janeiro, que neste ano comemorou duas décadas de existência. O cortejo, realizado no último domingo, 15 de fevereiro, reuniu uma multidão de foliões em uma celebração que o periódico descreveu como "símbolo da celebração popular, longe do glamour dos desfiles oficiais".

Uma maratona itinerante pelas ruas do Rio

Com o título "A Rio Carnival Party That Goes On and On" (Uma festa de carnaval no Rio que continua e continua), a matéria acompanha um dia inteiro do bloco, caracterizando-o como uma verdadeira maratona itinerante. "O Boi Tolo não tem horário, roteiro ou trajeto definidos, mas reúne milhares de foliões eufóricos marchando pela cidade em ritmo frenético", destaca o texto.

Nesta edição especial de aniversário, o bloco foi organizado em três "boiadas" distintas, que partiram de diferentes pontos do Centro da cidade e convergiram no Túnel Novo, que conecta os bairros de Botafogo e Copacabana, considerado o momento ápice do cortejo. Muitos participantes percorreram distâncias superiores a 10 quilômetros, demonstrando resistência física e paixão pela folia.

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Origem do nome e espírito espontâneo

A reportagem também explora a curiosa origem do nome Boi Tolo, que remonta a vinte anos atrás, quando um grupo de amigos foi a uma praça para participar de um bloco anunciado em jornal, que simplesmente não existia. "Frustrados, decidiram improvisar. Um folião pegou um pedaço de papelão e escreveu com batom 'Boi Tolo' — por terem caído no anúncio errado", explica o NYT.

Esse caráter improvisado e autêntico permanece como marca registrada do bloco. "O Boi Tolo só existe porque as pessoas querem que ele exista", afirmou Luís Otávio Almeida, um dos fundadores, em entrevista ao jornal. "O carnaval é feito na rua. É feito pelo povo."

Momento mágico nos túneis e resistência dos foliões

O texto descreve com riqueza de detalhes o momento em que o cortejo atravessa os túneis em direção à orla, considerado o ponto alto emocional do dia. "A batida acelerou, ecoando pelo túnel. A multidão explodiu em júbilo eufórico. 'É mágico', disse Pérola Mendonça, 26 anos. 'É uma sensação incrível de êxtase.'"

Acompanhar o Boi Tolo exige grande resistência, como destacou Lucas Fagundes, de 35 anos: "Ao longo do caminho, você começa a se perguntar: 'Será que eu desisto? Eu vou desistir'. É como o teste definitivo da sua resistência."

Festa que não quer acabar

Após aproximadamente 12 horas ininterruptas de desfile, muitos foliões ainda se recusavam a deixar a festa. O coro que ecoava na areia sintetizava perfeitamente o espírito indomável do bloco: "Eu não vou embora! Eu não vou para casa!", gritavam os participantes, enquanto pulavam animadamente.

A reportagem do New York Times posiciona o Boi Tolo não apenas como um evento carnavalesco, mas como uma expressão cultural genuína do Rio de Janeiro, que celebra a espontaneidade, a resistência e a alegria coletiva do povo brasileiro em suas ruas e avenidas.

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