Homem da Meia-Noite desfila em Olinda com tributo aos maracatus e ancestralidade afro-brasileira
Quando as ladeiras históricas se cobrem de verde e branco, o anúncio é dado: o Homem da Meia-Noite vai desfilar. O bloco, que completou 94 anos em 2026, arrastou uma multidão pelas ruas do Sítio Histórico de Olinda na madrugada deste domingo (15). A saída do calunga da sede do bloco, no bairro do Bonsucesso, aconteceu pontualmente à 0h, mantendo a tradição que dá origem ao nome da agremiação.
Trajeto tradicional e tema espiritual
O percurso manteve o formato dos últimos anos com passagem por pontos centrais do Sítio Histórico. Neste ano, o tema do desfile do calunga é "Tambores Silenciosos", um tributo à ancestralidade afro-brasileira e à força dos maracatus, homenageando cinco ícones da cultura pernambucana:
- Mãe Beth de Oxum
- Siba
- Maciel Salú
- Grupo Bongar
- Maracatu Nação Pernambuco
Segundo os organizadores do bloco, o tema propõe um mergulho na espiritualidade e na simbologia da Noite dos Tambores Silenciosos, cerimônia de sincretismo religioso realizada na segunda-feira de carnaval, no Recife, que reverencia a memória dos ancestrais e o silêncio que antecede o toque dos tambores.
Vestimenta secreta e cartola simbólica
O fraque do calunga, confeccionado pelo artista Paulo Pinheiro, foi mantido em local secreto até ser revelado neste domingo. A roupa trouxe elementos que remetem ao tema, com referências à simbologia das nações de maracatu. Já a cartola gigante, que compõe o estilo icônico do Homem da Meia-Noite, foi apresentada em coletiva em outubro do ano passado.
O acessório foi ornamentado em alusão a um tambor e com detalhes que remetem aos orixás. A peça foi confeccionada pela estilista Haia Marak, designer e artista plástica de Olinda. Foi da frente da casa dela, na Rua Treze de Maio, no Carmo, que, no dia 2 de fevereiro, data do aniversário do calunga, saiu um cortejo com tambores de nações de maracatu, levando a mala com a roupa que só foi revelada neste desfile.
O evento reforça a importância cultural do carnaval de Olinda, celebrando tradições que atravessam gerações e mantêm viva a herança afro-brasileira na região. A multidão que acompanhou o desfile testemunhou não apenas um espetáculo visual, mas uma profunda expressão de identidade cultural e espiritualidade.
